Dia 3 – De Viseu a Pedrogão Pequeno

Hoje o dia prometia uma boa quantidade de Km de estrada, sendo talvez o dia mais intenso neste sentido, de toda a nossa viagem pela Estrada Nacional 2 (N2). Não pudemos abandonar Viseu sem passear mais um pouco pelo seu centro histórico e sem provar um belo Viriato na Confeitaria Amaral (que nos redobrou energias para o dia). Claro que a viagem não estava completa se não tivéssemos também levado o carimbo da cidade (obtido no posto de turismo) e sem nos reabastecermos no supermercado. Cada vez estamos mais fãs de termos sempre a opção das refeições connosco, para termos mais liberdade ao longo do caminho (desde que as temperaturas assim o permitissem)… 

Estava tudo pronto, fizemo-nos ao caminho! Seguia-se uma primeira passagem pelas cidades de Tondela (Km 199) e por Santa Comba Dão (Km211), ambas com os seus centros históricos cuidados e onde se sentia uma tranquilidade “estranha”, não no mau sentido, porque esta estranheza como que se compara a uma pitada de inveja da nossa parte, pois esta tranquilidade é que devia ser a norma nas nossas vidas. Também nestas duas localidades recolhemos os carimbos das localidades e não podemos deixar de dizer que o sorriso de quem nos ia recebendo era de tal maneira reconfortante que era impossível não nos sentirmos bem em cada paragem para este efeito. 

Um pouco depois de Santa Comba Dão fizemos um pequeno desvio de 3 km até à localidade do Granjal. Aqui encontra-se uma nascente termal com um pequeno tanque de águas de cheiro sulfuroso que datam já do século XIX. Efetivamente o cheiro característico estava presente e a cor da água não nos deixou indiferentes, toda ela de um azul intenso. Não sendo controlada a qualidade das águas, optámos apenas por molhar os pés, esperançados nas suas propriedades terapêuticas. 

Voltando à N2, seguiu-se um dos troços mais confusos até agora. Entre a construção da barragem da Agueira e os troços da IP3, a histórica N2 sofreu aqui diversas alterações ao seu troco original, algo que nos obrigou a ter atenção redobrada para nos mantermos na estrada correcta. Para isto, foram indispensáveis as orientações presentes no guia da N2 da Foge Comigo, que nos auxiliaram também nesta fase. Tirando isto, esta parte do troço tem também detalhes únicos, tanto entre as paisagens da Barragem da Aguieira como depois ao longo do rio Mondego. Aliás, parte do trajecto fez-se ao lado do rio, o que nos obrigou (mais uma vez) a ter de parar para apreciar e tentar captar em fotos aquilo que os nossos olhos viam…

Mais à frente encontramos a famosa Livraria do Mondego, uma formação rochosa que se assemelha a prateleiras de uma estante de livros, último ponto antes de chegarmos a Penacova. As horas já iam avançadas e foi aqui, na maravilhosa Praia Fluvial do Reconquinho, que parámos para almoçar. Vamos começando a ficar habituados a paisagens tão únicas durante o almoço que, quando voltarmos ao trabalho, vamos estranhar muito! Também aqui, no café da praia fluvial, conseguimos recolher o carimbo da localidade e até nos ofereceram uma lembrança em nome do município. Juntando os ímans que fomos comprando, as lembranças que nos vão dando e as experiências que temos vivido, temos a certeza que não mais esqueceremos esta aventura. 

Seguiu-se Vila Nova de Poiares (Km 248) e aqui fizemos uma pausa para restabelecer energias e beber alguma coisa fresca, pois o calor parecia mesmo ter vindo para ficar ao longo destes dias e também hoje parecia não querer dar tréguas… Ali encontrámos o Central Bar, quase totalmente dedicado à N2 e que nos recebeu de braços abertos. Depois de dois dedos de conversa, de nos restabelecermos e de, também ali, carimbarmos a nossa passagem, pediram-nos para tirarmos uma foto de recordação e assim fizemos, pois o que é bom é mesmo para eternizar! Nesta rápida passagem, porque nos envolvemos tanto que acabamos sempre por perder a noção das horas que iam passando sem nos dar muita margem, tentámos ainda encontrar aqui dois amigos nossos que vivem nesta vila, mas apenas encontrámos “metade da equipa”. Temos de voltar com mais tempo para metermos a conversa em dia! 

A Vila de Góis (Km 272) era a paragem seguinte. Entre a sua maravilhosa praia fluvial e o seu pacato centro, sentimo-nos tentados a ficar logo ali e até mesmo a dar um mergulho no rio… Mas os planos eram já outros, mas disso falaremos já de seguida. Também aqui o posto de turismo recebeu-nos de braços abertos e carimbou a nossa passagem por lá, dando-nos a indicação que poderíamos parar junto ao Km 300 e pouco depois, nos Bombeiros Voluntários, carimbar também aí a marca desse Km. Agradecemos a amabilidade e a informação e fomos directos a essa marca redonda… É impressionante como em apenas 300 Km já vimos tantas coisas e todas elas tão distintas! 

Junto à placa da localidade de Alvares, encontrámos então o marco do Km 300. Depois de pararmos para fotografarmos este marco da etapa, parou ali um casal de mota, também eles a fazer a N2. Pediram-nos para lhes tirarmos também uma foto junto deste marco e partilharam que lhes tinham dito que havia por ali uma praia fluvial óptima e nós aproveitámos também para partilhar que, mais à frente, os Bombeiros carimbavam esta marca do Km300. Agradecemos mutuamente esta partilha e seguimos caminho! É também isto que levamos desta viagem, a partilha constante por um objectivo comum, viver e fazer viver a mítica estrada de forma única! Parámos então mais à frente junto aos bombeiros e qual não foi o nosso espanto quando tínhamos o bombeiro à porta, de carimbo em punho, literalmente à nossa espera! Disse-nos que antes de nós ali parou um casal de mota para pedir o carimbo e que disse que nós viríamos já de seguida… O mesmo casal que tinha estado connosco momentos antes! É isto que dizemos, este espírito da N2 é sem dúvida especial… 

Não queríamos acabar o dia sem um merecido mergulho numa praia fluvial e, neste dia, fizemos um pequeno desvio após a Sertã (que será visitada apenas amanhã) e fomos até à praia do Trízio. Este desvio de 12km valeu cada metro percorrido a mais!! Tínhamos a praia fluvial quase só para nós, aquela golden hour maravilhosa de final de dia, temperatura óptima dentro e fora de água… O que podíamos pedir mais? Foi um culminar especial para um dia já de si fantástico!! Era chegada a hora de descansar de mais um dia intenso, porque havia ainda muita coisa a percorrer e o caminho merece sempre que se lhe dediquem energias plenas…

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