Roteiro de 2 dias em Singapura

Singapura é um país “jovem”, com pouco mais de meio século, não impedindo ainda assim de o tornar um dos mais ricos e organizados do mundo. Foi mesmo esta organização e desenvolvimento que nos cativou inicialmente. A constância do verde de vários tipos de vegetação em quase todos os edifícios, num país onde a preocupação ambiental também se destaca, ajudaram-nos a desenvolver a nossa impressão deste país. As regras sociais são várias e rígidas, com restrições que vão desde não se poder fumar em locais públicos, não comer em transportes públicos ou não comer pastilha elástica em público, tudo elas baseadas no respeito pelo “outro”, que se conseguia realmente sentir um pouco por todo o lado. Passámos aqui apenas dois dias (num país que até merecia mais), mas onde sentimos claramente que será para regressar em breve.

Breves considerações antes de partir:

Antes de partir nesta viagem, temos algumas indicações que consideramos importantes de ter em conta. São eles:

– Documentação: Sendo um país asiático, os cidadãos europeus necessitam de passaporte válido para entrar em Singapura (atenção que não convém estarem a menos de 6 meses da data de validade dos mesmos). À chegada, é atribuído um visto turístico com a duração de 3 meses, sendo que se pretenderem ficar mais do que este período de tempo devem antecipadamente pedir um visto de permanência no país. Neste sentido, as autoridades fronteiriças podem exigir à chegada e antes de entrar no país que se apresentem os bilhetes de saída, para verificar por quanto tempo planeamos ficar. Um seguro de viagem válido deve ser algo indispensável numa viagem deste género, pelo que no nosso caso recomendamos a IATI Seguros. Felizmente não foi necessário, mas todo o atendimento e esclarecimento foi sempre feito em português, com uma simpatia e disponibilidade que nos transmitiu sempre confiança de que seria a melhor opção.

–Fronteiras: Chegámos a Singapura de avião, numa escala a partir de Kuala Lumpur, na Malásia. O aeroporto de chegada foi o aeroporto de Changi, o principal de Singapura e também o considerado o mais bonito do mundo. Os controlos de fronteira foram os habituais para um aeroporto, devendo ter sempre a postos os documentos de identificação obrigatórios válidos.

– Moeda: A moeda oficial de Singapura é o Dólar de Singapura (SGD), onde 1 SGD corresponde aproximadamente a 0,65 €. Qualquer pagamento com cartão de débito ou crédito de bancos portugueses envolve o pagamento de taxas interbancárias com valores significativos, pelo que a nossa opção foi sempre da utilização do Cartão Revolut, que foi vem sendo um aliado indispensável nestas viagens e nos permite poupar imenso, dado estarmos sempre isentos do pagamento destas taxas nos pagamentos electrónicos.

–Sugestões de alojamento: A sugestão que fazemos relativamente ao alojamento refere-se à experiência que tivemos, sendo que tentamos dar um feedback fidedigno que ilustre efetivamente com o que sentimos. Optámos por escolher um hotel com pequeno almoço incluído, comparando se efetivamente tem um impacto positivo no nosso orçamento. As reservas que fizemos foram através do Booking, sem qualquer problema. Estes pormenores encontram-se no final deste post;

Como circular por Singapura: Optámos por adquirir o Singapore Tourist Pass, um cartão turístico que pode ser adquirido no metro do aeroporto e que permite, por períodos de 1 dia, 2 dias ou 3 dias, ter várias vantagens por Singapura. A que mais nos interessou foi a utilização sem limite dos transporte públicos, tendo acabado por adquirir o de 2 dias, que rondou os 26 SGD (aproximadamente 17,90€), em que 10 SGD desse valor corresponde a um depósito que é devolvido quando devolvermos o cartão. Sinceramente compensou e valeu o investimento. Para obterem mais informações, consultem o site oficial.

–Segurança: Singapura é considerado um dos países mais seguros do Mundo e foi isso que sentimos. Óbvio que preferimos nunca facilitar e temos sempre os cuidados normais de segurança, que temos em qualquer local a que vamos, mas foi tudo muito tranquilo.

– Dicas adicionais: Como já devem saber, viajar por esta zona do globo requer cuidados adicionais a nível de vacinação e de prevenção de picadas de mosquito, por poderem transmitir doenças graves. Enquanto a vacinação ficou toda tratada e feita em Portugal, levámos connosco repelentes de pele e um outro, que até hoje não tínhamos experimentado, mais direcionado para colocação na roupa, que tantas vezes fica exposta às picadas. Neste sentido, experimentámos e aconselhamos a marca Wild at Ease, uma marca portuguesa de repelentes têxteis, que foram uma companhia constante na viagem. Além dos repelentes, levámos também t-shirts repelentes da mesma marca, que deram um jeitão. Para mais informações, visitem o site oficial da marca, podendo usufruir de descontos de 15% na compra usando o código WAEOM2M

–Outras informações: Aconselhamos sempre a que obtenham estas ou outras informações em relação a cada país que pretendem visitar na área de “Conselhos aos viajantes” no Portal das Comunidades Portuguesas.

Dia 1 – Pela Singapura moderna e futurista

Chegámos ao aeroporto Internacional de Singapura ainda o relógio não marcava 7:00 da manhã. Vínhamos cansados da viagem de avião, mas sabíamos que o dia teria de render ao máximo, pois o tempo era escasso para a quantidade de maravilhas que queríamos visitar neste pequeno país.

Encontrávamo-nos já com as mochilas às costas e era precisamente aqui, no Aeroporto de Changi que queríamos parar primeiro, de tanto que já tínhamos ouvido falar e pelas lindíssimas imagens que já tínhamos visto. Este aeroporto já ganhou a distinção de melhor aeroporto do Mundo ao longo de 7 anos consecutivos e, com a mais recente zona que foi inaugurada ainda em 2019, parece continuar a querer ganhar esse título. O Jewel, como é conhecida esta nova área, fica entre o Terminal 1 e a torre de controlo do aeroporto, sendo facilmente acessível a pé e estando o trajecto para lá chegar devidamente identificado.

Interior do Jewel

Este edifício de 10 andares é rodeado por uma floresta tropical interior, com uma enorme cúpula de vidro no seu topo, de onde se destaca a maior atração deste local, uma imponente cascata com 30 metros de altura, considerada a maior cascata interna do mundo. Ao longo deste edifício circular e por entre a floresta tropical, existem vários varandins com vista para a cascata, que apenas inicia o seu majestoso espectáculo pelas 9:00 da manhã.

Saídos do aeroporto, o nosso objectivo era seguir em direção aos Gardens by the Bay. Para isto, apanhámos o metro de Singapura (localmente conhecido como MRT – Mass Rapid Transit), cuja estação do aeroporto de Changi se encontra no piso inferior do terminal 1 e se encontra devidamente identificada. O metro é relativamente simples e intuitivo e as linhas conectam-se em diversos pontos, sendo que o objectivo seria seguirmos para a estação de Bayfront (uma das mais próximas dos Gardens by the Bay).

Finalmente tínhamos chegado e os Gardens by the Bay estavam ali, mesmo à nossa frente. Como o próprio nome indica, estes jardins futuristas (de entrada gratuita) tiveram como objectivo assumir o papel de jardim da cidade, numa posição privilegiada à beira mar, estendendo-se por mais de 100 hectares.

Gardens by the Bay

O elemento que mais se destaca neste jardim são as 18 árvores gigantes aí colocadas, com alturas entre os 25 e os 50 metros, todas elas rodeadas de plantas e árvores de várias partes do mundo, culminando no centro deste parque que se chama Supertree Groove. Apesar de estas “super árvores” serem artificiais, dão um ambiente mágico a este jardim, algo ainda mais notório com um espéctaculo grandioso de luzes ao anoitecer, todas elas provenientes de energias renováveis numa clara preocupação ambiental, como verificámos aliás um pouco por toda a cidade. Mas, sobre isto, falaremos mais à frente…

Supertree Groove

Neste jardim da cidade, além da área das “super árvores”, temos também vários edifícios que se destacam, tanto pela arquitectura, como pela função. Um deles é o Flower Dome, um edifício com uma forma muito peculiar, com mais de 12 mil metro quadrados, é a maior estufa de vidro do mundo e conta com plantas e árvores de todos os locais do mundo, numa conservação e disposição maravilhosas, que se podem “percorrer” numa viagem pelos vários continentes.

Depois visitámos ainda a Cloud Forest, um outro edifício em forma de cúpula que se encontra nos Gardens by the Bay. Este gira em torno de uma montanha artificial de onde se destaca mais uma enorme e imponente cascata interna. Também aqui é a natureza que dá o mote para a exposição existente, sendo nós convidados a subir esta “montanha” até ao topo e ir descendo gradualmente, onde patamar após patamar vamos conhecendo diversos habitats, divididos pela altitude existente. No final, existe uma exposição importantíssima e marcante, onde somos alertados para o aquecimento global e o impacto na humanidade! Sem dúvida que vale a pena.

A entrada dupla na Flower Dome e na Cloud Forest custou 56 SGD (aproximadamente 37€), tendo nós comprado os bilhetes antecipadamente para evitar filas. Para mais informações e para compra de bilhetes online visitem o site oficial dos Gardens by the Bay.

Depois de um revigorante almoço (dicas de restaurantes no final do post), partimos a pé em direção ao ArtScience Museum, que se encontra a pouco mais de 500 metros dos Gardens by the Bay, naquele que é também um edifício com uma arquitectura única. Também aqui comprámos bilhete online, antecipadamente, para evitar filas e podermos agilizar a entrada. Existem várias exposições disponíveis e que podem variar, podendo nós escolher qual ou quais delas queremos visitar, variando igualmente o preço do bilhete consoante a nossa escolha.

ArtScience Museum

A exposição que decidimos visitar é a exposição permanente do museu, com o nome de “Future World: Where art meets science”. Aqui, a mistura entre a ciência, a arte e a tecnologia ganha todo um novo significado, transportando-se para um universo fantástico e interactivo, difícil de esquecer. Entre as etapas da exposição, destacamos a área do Oceano, onde um oceano interactivo aguarda a criação de criaturas marinhas desenhadas por cada um dos visitantes, bem como a área do Espaço, num espectáculo de luzes que nos transporta para outra dimensão. As visitas encontram-se divididas por blocos de horas, pelo que devem consultar antecipadamente qual o melhor que se ajusta ao vosso plano, para que não vos baralhe os planos. Os bilhetes apenas para esta exposição custaram no total 38 SGD (aproximadamente 25€). Para mais informações, visitem o site oficial do Museu.

A tarde já ia lançada e queríamos ainda dar uma volta pela baía, pelo que depois da visita do ArtScience Museum seguimos a pé pela Helix Bridge, uma ponte com um formato peculiar que atravessa a baía e que dizem representar a estrutura do DNA humano. Ao longo da ponte existem vários miradouros, com vistas maravilhosas sobre a baía de Singapura. Não visitámos durante a noite, mas dizem que iluminada se torna ainda mais bonita, com uma particularidade engraçada: destacam-se na iluminação as letras “C”, “G”, “A” e “T” a vermelho, cada uma delas a inicial das quatro bases do DNA: citosina, guanina, adenina e timina. Tentem encontrá-las!

O ponto alto desta caminhada de final de dia e até onde queríamos ir era o Parque Merlion (entrada gratuita), de onde se consegue uma das vistas mais esplendorosas de Singapura. Neste parque, a principal atração é o chamado Merlion, uma escultura/fonte metade leão, metade peixe, que é a imagem da cidade e se encontra um pouco por todo o lado. Mas, não menosprezando o parque, o verdeiro espectáculo está no miradouro aqui existente, com uma vista fantástica sobre os Gardens by the Bay e sobre o Marina Bay Sands, um hotel imponente que é já também uma das marcas da cidade. Também vale a pena passar aqui à noite, onde a iluminação dos edifícios e dos monumentos dá um cenário idílico.

Terminámos o nosso dia a regressar aos Gardens by the Bay. Já começava a anoitecer e, as “super árvores” começavam a ganhar cores fantásticas, transportando-nos para um qualquer filme futurista. E vale mesmo a pena regressar aqui ao anoitecer, pois estas árvores ganham “vida”, em espectáculos musicais e de luz de aproximadamente 15 minutos. Estes têm horas certas para começar, sendo normalmente às 19:45 e às 20:45. Acreditem, vale MUITO a pena. Para obterem mais informações, visitem o site oficial.

Depois de um longo dia e de emoções fortes, apenas conseguimos jantar e fazer o check in no hotel, aguardando ansiosamente por tudo o que esta cidade tinha ainda para nos oferecer no dia seguinte.

Dia 2 – Pela Singapura étnica e histórica

Depois de um revigorante pequeno almoço, partimos para mais um dia de descoberta de Singapura. Se o primeiro dia tinha sido numa perspectiva mais futurista da cidade, o segundo tinha sido reservado para os bairros típicos também ali existentes e imperdíveis.

Começámos pela Chinatown, por ser o bairro onde ficava o nosso alojamento. Este bairro é o centro da comunidade chinesa em Singapura, cuja fundação remonta ainda aos primeiros colonos chineses a fixar-se neste país. Depois do que tínhamos vivido no dia anterior, entrar neste bairro era como se tivéssemos atravessado a fronteira e estivéssemos noutro país. Aqui destacava-se o comércio de rua, os caracteres indecifráveis para nós e uma arquitectura muito típica, numa mistura de cheiros e de cores fantástica. Neste bairro destacam-se a existência de duas mesquitas e de um templo hindu, numa coabitação pacífica e de respeito mútuo. De ressalvar que este templo hindu, com o nome de Sri Mariamman, foi construído em 1827 e tornou-se o primeiro templo hindu de Singapura.

Seguimos depois de metro para a Little India, mais um dos bairros imperdíveis de Singapura. Como o nome indica, entrar neste bairro é como visitar este país, mas numa escala mais pequena e familiar. Também aqui se destaca a mistura de cheiros, de cores e a própria arquitectura, com arte de rua fantástica. O Mustafá Centre é um mercado enorme a céu aberto, com lojas a trabalhar quase as 24h do dia, sendo um ponto imperdível para quem gosta de compras e com preços que podem (e devem) ser regateados.

Por fim, mas não menos importante, temos o Bairro Árabe (localmente conhecido como Arab Quarter ou Kampong Glam), cuja estação de metro mais próxima é a Bugis (linha verde). Este bairro, apesar de mais pequeno que os anteriores, tem também um encanto especial, com toda a sua vida a centrar-se em torno da Mesquita do Sultão, um imponente edifício que permite apenas a entrada a muçulmanos. Aqui é perdermo-nos por estas ruas em redor da mesquita, onde as casas mantêm os seus traços coloniais, agora renovados de cores e de movimento.

Se ainda tiver tempo ou mais um dia:

– O Jardim Botânico de Singapura, Património Mundial pela UNESCO desde 2015, é sítio lindíssimo e tem no seu interior uma pequena selva, lagoas, cascatas e um jardim de especiarias. Um ponto a não perder aqui Jardim Nacional de Orquídeas, um espaço reservado para a flor nacional do país que reúne mais de 3.000 espécies. O horário de funcionamento do parque é variável, com entrada gratuita, excepto no Jardim Nacional de Orquídeas (bilhete a rondar os 5 SGD – aproximadamente 3,35€). Para mais informações, visitem o site oficial do Jardim Botânico.

– O Singapore Flyer é uma roda gigante, com 165 metros de altura, assemelha-se muito à London Eye em Londres, superando-a ainda assim em 30 metros de altura. Num passeio de aproximadamente 30 minutos, tem-se uma vista superior privilegiada sobre alguns pontos de Singapura. Mesmo que não queira andar no flyer, a vista da chamada Promenade para os Gardens by the Bay também vale a pena. Os bilhetes rondam os 33 SGD (aproximadamente 22€ por pessoa), num horário que vai diariamente das 8:30 às 22:30, sendo a estação de metro mais próxima a City Hall. Para mais informações, visitem o site oficial.

Como chegar: No nosso caso concreto, chegámos a Singapura vindos do Japão, após escala em Kuala Lumpur (Malásia). A chegada deu-se no Aeroporto Internacional de Changi, como partilhámos acima, sendo a partir daqui a ligação feita de forma rápida e cómoda para o centro da cidade de transportes públicos. Optámos por comprar o Singapore Tourist Pass de 2 dias (preço por cartão de 2 dias é de 26 SGD – aproximadamente 17,90€, em que 10 SGD desse valor corresponde a um depósito que é devolvido quando devolvermos o cartão) que nos permitiu utilizar todos os transportes públicos da cidade de forma ilimitada, sem custos adicionais, neste período de tempo.

Onde comer: Um pouco por acaso entrámos no Centro Comercial existente no edifício do Marina Bay Sands, mesmo em frente do ArtScience Museum. No piso inferior do centro comercial encontram-se diversos restaurantes, um deles onde acabámos por almoçar que adorámos: – o “Thye Hong” onde recomendamos que (por 7,5€/pessoa) experimentem o Singapore Fried Prawn Noodles (7,5 euros por pessoa).
É também em Singapura que encontramos o restaurante galardoado com 1 Estrela Michelin mais barato do mundo: o restaurante Liao Fan Hawker Chan (na Smith Street na Chinatown) merece este galardão, com o seu prato de Soya Sauce chicken rice and noodles, que custa aproximadamente 15€. Não conseguimos ir lá desta vez, mas não vai falhar numa próxima.

Onde ficámos: Ficámos nas Galaxy Pods @ Chinatown, alojamento que recria (ainda que numa tentativa mais futurista) os quartos cápsula. O preço foi sem dúvida o mais vantajoso desta experiência (48€/noite a cápsula dupla, com pequeno almoço incluído). Curiosamente não foi a experiência de cápsula que nos marcou negativamente neste alojdamento. O que não nos cativou de todo foi a limpeza pouco cuidada das casas de banho, que não nos deixou de todo confortáveis. Sinceramente não repetíamos a experiência, mas se forem aventureiros e quiserem a experiência de dormir em cápsulas por preços convidativos, experimentem.

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