Dia 1 – De Chaves a Santa Marta de Penaguião

Nunca foi tão fácil acordar a um domingo, bem cedo, após o despertador tocar. Movidos pela emoção e pela ansiedade de partir, arrumámos tudo e partimos, mas não sem antes fazermos uma pausa técnica no supermercado. Se há coisa que fomos percebendo foi que, quando possível, os almoços deveriam ser “por nossa conta”, porque nunca se sabe quando poderemos encontrar um “restaurante” imperdível para comermos as nossas sandes, com uma vista que nenhum valor pode pagar. 

Parámos ainda para uma foto da praxe junto ao marco do Km0 e não deixámos de achar curioso um grupo de ciclistas que por ali passava dirigir-se a nós com palavras de incentivo. Inicialmente pensaram que iríamos fazer a estrada a pé, mas nem sabendo que iríamos de carro os demoveu das palavras de coragem. Afinal de contas, partir exige sempre coragem, nem que seja pelo facto de nos levar rumo ao desconhecido. 

Percorremos os primeiros quilómetros e, por esta altura, acabávamos por nos enamorar pelos marcos ao longo do caminho.Penso que nunca nos tínhamos apercebido tanto destes em qualquer outra estrada e, fosse por já termos lido tanto sobre a Estrada Nacional 2 (N2) ou simplesmente por estarmos mais atentos, estes iam desfilando ao nosso lado, juntamente com as paisagens maravilhosas que apanhamos logo ainda antes de chegarmos a Vidago. 

Vidago esperava-nos logo para primeira paragem, logo ao Km 15  mas mais uma vez a pandemia trocou-nos as voltas: o Grande Palácio de Vidago (hoje um hotel privado) não aceitava visitas, o que nos impossibilitou de admirar os seus jardins e ver este imponente edifício, bem como provar as suas águas únicas.

Mas bom, era apenas o começo e logo depois tínhamos as Pedras Salgadas junto ao Km 30 e, aqui, acabou por não nos faltar a prova das águas locais, bem como o passeio pelos seus jardins inigualáveis, onde apenas os pássaros interrompiam o silêncio existente. 

Fizemo-nos uma vez mais ao caminho e a paragem seguinte foi para carimbo, desta vez nos Bombeiros Voluntários de Vila Pouca de Aguiar (Km 35). Não deixou de ser caricato entrarmos de carro pelos bombeiros e pedirmos um carimbo no nosso livro, algo que nos parecia estranho mas que ali já era natural, tantos eram os visitantes diários com a mesma intenção. Foi de seguida que fizemos o primeiro desvio da Nacional 2, que valeu cada metro percorrido até à Lagoa do Alvão. A pouco mais de 8km de Vila Pouca de Aguiar, este autêntico oásis recebeu-nos com um lago maravilhoso e sombras de árvores, a junção ideal para ser o nosso local escolhido para um almoço que, pela envolvência, tão depressa não iremos esquecer. 

Daqui, esperava-nos Vila Real, mas não sem antes fazermos diversas paragens (com as devidas precauções) para tentar registar, em fotografia, as maravilhas que os nossos olhos iam captando pelo caminho. 

Um calor intenso recebeu-nos à chegada a Vila Real (Km 61). Junto à Sé acabámos por encontrar “guarida” e ar fresco num dos locais mais conhecidos da cidade (Pastelaria Gomes) e foi ali que provámos as famosas “Cristas de Galo”, doce conventual local, que nos fizeram ganhar novo alento para enfrentar o calor. O Posto de Turismo Interactivo de Vila Real encontrava-se ali ao lado e fomos até lá, pois era local de paragem obrigatório para recebermos o carimbo da cidade. Mal nós sabíamos que, logo ali, iríamos trazer gratuitamente o dito passaporte da Nacional 2 e ainda um pequeno guia, para nos ajudar em viagem. Escusado será dizer que pedimos para carimbar também o nosso guia da “Foge Comigo”, porque este sim, seria o nosso “passaporte”. Seguiram-se a Sé e o edifício dos Passos do Concelho de Vila Real, mas não saímos da cidade sem passar pela Casa Fundação Mateus, que apesar de paga nos deslumbrou com os seus jardins e lagos extremamente cuidados, que rodeavam uma casa senhorial impressionante e onde existe uma das primeiras edições ilustradas dos Lusíadas. 

Voltando à N2 e logo após Vila Real, começam a mudar as paisagens e damos de caras com as encostas do Douro Vinhateiro, que são extraordinárias. Óbvio que as paragens nos miradouros indicados se foram sucedendo, para tentarmos captar e absorver cada detalhe daquilo que tínhamos ali, à nossa frente. Seguiu-se Santa Marta de Penaguião (Km 78), última paragem para este dia e localidade onde iríamos pernoitar. À entrada da localidade encontrámos a bomba de gasolina, onde conseguimos mais um carimbo para a nossa coleção, agora para o passaporte que trazíamos desde Vila Real e para o nosso guia, que se tornava cada mais personalizado a cada paragem. O funcionário riu-se com a iniciativa, mas de bom grado acedeu em carimbar, desejando-nos também ele boa viagem e boa continuação. Se fosse pelo menos como o dia de hoje, não poderíamos pedir mais! Por entre as vinhas e a natureza desta área demarcada, fizemos ainda uma prova de vinhos locais na Quinta onde ficámos alojados (Quinta da Pousada). O simpático Carlos, um dos funcionários da quinta, levou-nos por uma viagem onde abundaram as cores, os cheiros e os sabores diversos entre vários tipos de vinhos e onde nem o do Porto faltou, onde foi “estrela” uma reserva de 1959. Foi sem dúvida um serão bem passado e com uma paisagem inigualável do douro vinhateiro ali à nossa frente, onde acabámos por ver o pôr do sol, fechando com chave de ouro um dia, já de si, fantástico. 

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