Península de Snæfellsnes

A pouco mais de 160 km de Reikjavík, a península de Snæfellsnes com os seus 90 km de extensão é um lugar imperdível numa passagem pela Islândia. Dizem ser uma “mini Islândia” por si só, tendo aí alguns dos locais mais fotografados e conhecidos deste país.

No circuito que planeámos fazer na nossa roadtrip pela Islândia, dedicámos um dia para explorar a península de Snæfellsnes, partindo de Reiquejavique. Numa viagem que supostamente duraria duas horas até à entrada da península, acabámos por demorar mais, dadas as paragens que cada paisagem nos obrigava a fazer.

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À entrada da península, deparamo-nos com a cratera de Eldborg, uma cratera de 60 metros de altura rodeada por um campo de lava. Não chegámos a subir nem a aproximar, mas dizem que o melhor acesso a esta cratera é pelo sul, fazendo um trilho de 2,5km pelos campos de lava.

Foi mais ou menos por esta altura que nos começámos a aperceber que o dia soalheiro que tínhamos à saída de Reiquejavique começava a dar lugar a um dia mais escuro, com o céu nublado a ficar num tom carregado. Após mais uma paragem para fotografias, e a chegar à praia de Ytri-Tunga, no sul desta península, começamos a aperceber-nos que começam a cair os primeiros flocos de neve, primeiro de forma algo tímida mas a aumentar gradualmente de intensidade. Esta praia tem uma colónia de focas, que se conseguem observar a olho nú, principalmente nos meses de Junho e Julho. Apesar de estarmos em Abril, tentámos a nossa sorte, juntando-nos a outros turistas que apesar de condições climatéricas estarem a aumentar a exigência, tentavam infrutiferamente observar as focas no mar ou junto à costa.

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Praia de Ytri-Tunga

Foi então, depois de partirmos de carro em direção ao Parque Natural de Snæfellsnes, na zona mais a oeste da península, que começou a verdadeira aventura. Os pequenos flocos que inicialmente se faziam sentir, deram lugar a um valente nevão junto ao glaciar de Snæfellsjökull, limitando-nos a visibilidade e a própria marcha do carro. Os islandeses dizem que este glaciar tem uma energia magnética própria, energia essa que eventualmente inspirou eventualmente Júlio Verne a escrever “A Viagem ao Centro da Terra” em 1864, onde a partir da cratera deste glaciar, um grupo de aventureiros partia numa expedição em direção ao centro da terra.

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Quaisquer que fossem as eventuais justificações, o certo é que este nevão nos limitou muito a passagem pelo Parque Natural, impossibilitando-nos de realizar uma visita, passando o nosso principal objectivo por tentar chegar a Olafsvik, cidade na península onde iriamos pernoitar.

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Após uma viagem turbulenta, finalmente estacionamos o carro à porta do hotel onde íamos pernoitar na pequena cidade de Olafsvik. Era Domingo de Páscoa (1 de abril de 2018), e não se via ninguém na rua, numa cidade onde dizem viver pouco mais de 1000 pessoas. Após o check in e depois de umas horas em que a neve não deu tréguas, enchemo-nos de coragem e fomos explorar a pé esta localidade. Nunca tínhamos sentido os pés afundar na neve como ali, e o nosso carro começava já a ficar completamente envolvido em neve, mas mesmo assim decidimos viver esta experiência única e torna-la memorável.

Reparámos que mesmo perto do nosso hotel tínhamos uma pequena igreja (Ólafsvíkurkirkja), que apesar de ter já sido construída em 1967 apresenta uma aspecto moderno. Vista de fora, apesar da neve, parecia um navio, e à medida que nos aproximávamos não tínhamos esperança em encontra-la aberta, pois o que fomos lendo pela internet é que raramente isto acontecia. Acabámos por encontrar a porta entreaberta, convidando-nos à visita, encontrando no seu interior um calor reconfortante que contrastava com o que sentia na rua. Era os únicos visitantes, parando um pouco ali, no silêncio que se fazia sentir, a admirar esta igreja que também por dentro reservava alguns traços modernos.

Uma vez mais na rua, podemos ainda ver a cascata Bæjarfoss na encosta do monte que abraça esta localidade (Ólafsvíkurenni), continuando pelo rio até chegar ao mar.

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Na manhã seguinte, um dos pontos altos que contávamos conseguir era uma visita ao conhecido Monte Kirkjufell, que pertence à cidade de Grundarfjörður que fica a este de Olafsvik. Tinhamos altas expectativas para esta parte da viagem, para vislumbrarmos este monte que deve o seu nome à parecença com uma igreja e às cascatas circundantes que já tínhamos visto em inúmeras fotografias. Mas adivinhem? Voltámos a apanhar um nevão e apenas conseguimos vislumbrar e tentar adivinhar o vulto deste monte através da neve (uma das maiores desilusões da viagem, não podermos ver decentemente esta área para a qual tínhamos tantas expectativas).

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Por precaução, para não ficarmos presos na neve, acabámos por seguir caminho, passando por campos de lava cobertos de neve, em direção à cidade mais próxima: Stykkishólmur.

Foi um bocado por acaso que parámos em Stykkishólmur. Pouco maior que Olafsvik, apenas optámos por parar para tentarmos que o nevão desse uma trégua e por terem supermercados para podermos reabastecer-nos. E foi uma agradável surpresa!

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O ponto que mais nos surpreendeu aqui foi o farol Súgandisey (coordenadas 65°4’49.266″ N 22°43’32.502″ W), que com a sua cor vermelha se destacava no monte branco junto ao mar. Subimos ao junto deste farol e tivemos uma vista maravilhosa, tanto sobre a cidade como para o mar e os Westfjords.  É também a partir desta cidade que se pode apanhar um ferry para estes fiordes que ficam a noroeste do país, sendo a empresa Seatours Eimskip uma das melhores opções. O bilhete para uma travessia é de 3060 ISK ± 24€.

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Após esta paragem algo forçada mas que valeu a pena, seguimos na nossa roadtrip, em direção a Blönduós.

Onde ficar: Hotel North Star Olafsvik. Sinceramente, ficámos agradavelmente surpreendidos por este hotel. O check in é automático, sendo enviado para o nosso e-mail uns dias antes da estadia o código para entrar no hotel e para entrar no quarto respectivo. As comodidades cumprem todos os requisitos (aquecimento e casa de banho privativa incluída) e, igualmente importante dado que esta localidade não tem supermercados e os restaurantes/cafés se encontravam todos fechados, tinha pequeno almoço incluído. O quarto de casal ficou por menos de 70€/noite.

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