Roteiro de 6 dias pela Estrada Nacional 2

A mítica (como carinhosamente é chamada) Estrada Nacional 2 (N2) é uma rota histórica, repleta de detalhes e encantos que não deixam indiferente quem a percorre. É a 3ª maior estrada nacional do mundo e atravessa 11 distritos e 35 municípios de Portugal, num total de 739,260 km, levando-nos a conhecer as pessoas, as histórias e os mitos de um país que tem tanto por descobrir. Partimos à aventura numa roadtrip de 6 dias, com início em Chaves e término em Faro (com vários desvios imperdíveis pelo meio), cujo roteiro, dicas e outras informações que consideramos pertinentes iremos partilhar convosco de seguida. Sendo uma roatrip tão extensa e com tanto para ver, não conseguimos fazer uma visita exaustiva a cada um dos pontos de paragem nem sequer visitar todas as localidades por onde passámos. Neste sentido, o que sugerimos são os locais imperdíveis e possíveis de visitar neste período de tempo, na nossa perspectiva.

Breves considerações antes de partir:

Antes de partir nesta viagem, temos algumas indicações que consideramos importantes de ter em conta:

– O Passaporte da Estrada Nacional 2: A Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2 (AMREN2) criou um passaporte físico da N2, para ser carimbado em alguns dos municípios percorridos ao longo da rota. Além deste, existe também um Passaporte Electrónico (baseado na leitura de códigos QR), criado por estudantes de Engenharia Informática da Universidade de Coimbra, criando um registo digital que está por enquanto restrito ao sistema Android, funcionando como alternativa ao passaporte físico.
Nem sempre é fácil obter o passaporte em formato de papel. No nosso caso, por exemplo, apenas conseguimos obtê-lo já em Vila Real, pelo que tivemos de arranjar alternativa nas etapas anteriores. Uma opção para quem queira optar pelo formato físico do Passaporte da N2 (e evitar a ruptura de stocks) é encomendá-lo antecipadamente através do email geral@rotan2.pt. Para mais informações consultem o site oficial da rota N2 a AMREN2.

– O guia da Estrada Nacional 2 da “Foge Comigo”: Por brincadeira dissemos, ao longo da viagem, que tivemos um 3º elemento sempre presente connosco: o “Guia de Portugal de Norte a Sul pela mítica Estrada Nacional 2”, da “Foge Comigo”. Tem imensa informação sobre a N2, desde dados históricos até sugestões de desvios, de alojamentos ou de restaurantes, pelo que considerámos fundamental levá-lo para enriquecer a nossa viagem. Este guia está a ser actualizado anualmente e vai (em 2020) na sua 4ª edição. Para saberem mais, consultem a página oficial da “Foge Comigo”.

–Referências a empresas/marcas e recomendações de alojamentos ao longo do artigo:  As recomendações que deixamos ao longo desta publicação, deste empresas turísticas, restaurantes ou alojamentos, referem-se às experiências que tivemos, sendo que tentamos dar um feedback fidedigno que ilustre efetivamente o que sentimos (de bom ou de menos bom). Não obtivemos qualquer proveito próprio para os “publicitarmos” aqui porque achamos que, nesta altura e mais do que nunca, é ainda mais importante apoiar o turismo nacional.

Orientação ao longo da N2: Ao longo da N2 irão percorrer alguns pontos em que o traçado já não é o original, sendo o melhor exemplo (e mais confuso) no percurso junto à barragem da Aguieira, antes de Penacova. Aqui uma parte da N2 ficou submersa pela barragem, que leva a que tenhamos de percorrer uma pequena parte do IP3, pelo que recomendamos atenção redobrada especialmente neste zona, para que consigamos manter-nos na rota da N2. A aplicação Wikiloc tem mapas em GPS que podem ser uma ajuda (tanto para quem faz o circuito de bicicleta, mota ou carro).

Segurança na estrada: A N2 é, sem dúvida, um estrada cénica, que por si só vale a viagem. A tentação de pararmos com frequência para apreciarmos as paisagens e tirarmos fotos é uma constante, pelo que aconselhamos ao máximo que o façam só e apenas nos locais identificados e nunca nas faixas de rodagem, para que não se coloquem em risco nem aos outros. Há ainda que respeitar quem circula pela N2 e que tantas vezes utiliza esta estrada para se deslocar de e para o trabalho, para que o nosso “ritmo de passeio” não prejudique. Tenham em atenção que há diversos troços que já não são os originais da N2, principalmente dentro das localidades, pelo que devemos ter atenção redobrada para nos mantermos nas rota correcto. O guia da “Foge Comigo” foi essencial nestas fases, dando informações imprescindíveis para não nos desviarmos da rota original da N2 ao longo de cada etapa.

– Espírito da N2: Tínhamos ouvido falar muito do espírito que se vive e se transmite ao percorrer esta estrada, mas efectivamente só depois de a percorrer percebemos o que queriam dizer. Encontramos diversas pessoas a percorrer a N2, em qualquer um dos sentidos e das mais diversas formas (autocaravana, carro, mota, bicicleta), sendo normal e até de certa forma um “código de conduta” ir cumprimentando os aventureiros que vamos encontrando pelo caminho. Por isso, seja com uma buzinadela ou um aceno, mantenham vivo este espírito de camaradagem de quem parte pela N2.

Elementos históricos ao longo da N2: Aconselhamos a que vão estando atentos, ao longo da viagem, a elementos que o tempo não apagou como painéis publicitários, casas de cantoneiros, casas de guardas, etc. que dão ainda mais encanto ao caminho. Alguns deles estão hoje praticamente recuperados na totalidade, especialmente na rota património entre Almodôvar e São Brás de Alportel.

Nota ecológica: Não se aplica apenas para esta viagem mas em todas – Há que cuidar e deixar intactos todos os locais por onde vamos passando. Neste sentido, levem sempre convosco todo o lixo que produzirem e coloquem-no nos locais apropriados.

Como nota final, aconselhamo-vos a guardarem a véspera do dia em que iniciarem a vossa roadtrip pela N2 para visitarem a cidade de partida (seja Chaves ou Faro). Assim, acabam por ter mais tempo para conseguir ver tudo com a calma necessária nestas cidades, para depois poderem arrancar para os primeiros Km de uma aventura inesquecível pela N2.

Dia 1 – De Chaves a Santa Marta de Penaguião

Para quem, como nós, pretende percorrer a N2 no sentido norte-sul, Chaves é o ponto de partida. Cidade com fortes raízes termais que vêm já da época romana, ou não fosse antigamente conhecida como Aquae Flaviae, é sem dúvida uma cidade acolhedora e que adorámos conhecer. Aqui encontramos o marco do Km 0 (41º44’12″N; 7º27’53″W), no centro da rotunda que marca o começo da N2. Foi daqui que começámos a aventura, uma aventura que ficaria para a história… A nossa história!

Alguns locais de interesse a visitar em Chaves:
Castelo de Chaves, um edifício do século XIV, de onde se destacam os seus jardins e a sua imponente torre de menagem;
Forte de S. Francisco, construído no século XVII, de forma abaluartada. No seu interior existe uma unidade hoteleira, não sendo possível visitar muitos pontos;
Ponte do Trajano, atravessando esta ponte romana única entre as margens do rio Tâmega, mandada construir pelo imperador romano Trajano;
– Percorrer a Rua Direita e deixar-se envolver pelas cores e detalhes do edifícios;
Termas de Chaves e beber, gratuitamente, um copo de água termal servida na hora, na área exterior de buvette (ter em atenção eventuais constrangimentos devido à pandemia de COVID-19);
– Percorrer as poldras (corredor de pedras) do Rio Tâmega, atravessando entre margens (pode representar algum grau de dificuldade, tenham isso em atenção!).

Fundamental passar por:
Templo Nacional 2: Um espaço imperdível para quem pretende iniciar (ou concluir) a viagem, encontrando-se a poucos metros do marco do Km 0. Aqui, além do merchandising relacionado com a N2, encontramos o proprietário Daniel que é uma simpatia e está sempre pronto para dar uma última dica que precisemos, tendo sido essencial para entrarmos definitivamente no espírito desta mítica estrada;
Pastelaria Maria: Loja com mais de 50 anos, perto do Castelo e da Rua Direita, onde se podem comer uns Pastéis de Chaves maravilhosos, entre tantas outras coisas com aspecto divinal que se encontram dispostas ao balcão e produzidas no local.

Vidago (Km 15) foi a paragem seguinte. Aqui, entre os séculos XIX e XX, tivemos a mais importante estância termal de Portugal, tendo nesse período inclusive sido chamada a Vichy portuguesa, numa clara comparação com a famosa estância termal francesa.

Local de interesse a visitar em Vidago:
Palace Hotel de Vidago, um hotel icónico que data do início do século XX, que já foi em tempos considerado o melhor hotel da Península Ibérica. Também os seus jardins envolventes com mais de 100 hectares valem a pena ser visitados. Dado ser uma área privada, pode ter algumas restrições nas visitas, nomeadamente durante este período de pandemia. Quando lá passámos (Julho/2020) o acesso a ambas as áreas estava restrito aos hóspedes do hotel.

Fizemo-nos de novo à N2, chegando a Pedras Salgadas. Também conhecida pela sua área termal, destaca-se pelas nascentes de água gaseificada que aqui existem. É aqui que nasce a famosa Água das Pedras!

Local de interesse a visitar em Pedras Salgadas:
Parque da Estância de Pedras Salgadas, que conquista qualquer um com a sua beleza e tranquilidade, mantendo vários edifícios como o casino e o antigo hotel, todos eles com detalhes únicos do início do século XX.

Fundamental passar por:
Nascente de Pedras Salgadas, dentro do Parque da Estância, onde podemos provar de forma gratuita, na hora e directamente da nascente, a famosa água gaseificada.

Uma outra paragem obrigatória foi na cidade de Vila Real. Esta capital de distrito tem um centro histórico encantador, sendo envolvida pelas belas Serras do Marão e do Alvão e onde confluem os rios Corgo e Cabril, em toda uma junção maravilhosa.

Alguns locais de interesse a visitar em Vila Real:
Sé de Vila Real, um templo gótico histórico do século XV;
Paços de Concelho, para ver a sua bela fachada, com dupla escadaria em granito;
Casa de Diogo Cão, também pela sua fachada única e onde consta ter nascido o famoso navegador português;
Casa de Mateus (41º17´51.86″N; 7º42´49.18″W), um edifício barroco (imagem da conhecida marca de vinhos “Mateus”), rodeado de jardins com variadas espécies botânicas e um lago. As entradas são pagas (13€ por pessoa para visitar a Casa; 9€ para visitar apenas jardins).

Fundamental passar por:
Casa Lapão, para comer as famosas “Cristas de Galo”, tão típicas desta região.

A última etapa deste dia era na vila de Santa Marta de Penaguião. Aqui já no alto douro vinhateiro, entramos numa paisagem única que é Património Mundial da UNESCO. Deixem-se envolver pelo seu acolhedor centro, atravessado pela N2.

Alguns locais de interesse a visitar em Santa Marta de Penaguião:
Mural alusivo à vila e à N2 (41º12´39.021″N; 7º47´16.163″W);
Praça do Município, onde uma estátua de um homem a cavar presta homenagem a todas as pessoas que diariamente trabalham para manter viva esta região demarcada;

Fundamental passar por:
– Antes de chegar a Santa Marta de Penaguião, parar na área de estacionamento existente junto ao Km 75 (exactamente antes da placa de Côvelo), para apreciar a vista única sobre as vinhas.

Desvios à N2 neste dia – Neste dia realizámos apenas 1 curto desvio à N2:
1) Lagoa do Alvão (41º30´11.534″ N; 7º39´56.858″W): a partir de Vila Pouca de Aguiar (Km 35) aqui podemos encontramos um Parque de Lazer, uma área natural repleta de áreas de diversão e de descanso, com passadiços ao redor da lagoa, para podermos apreciar este belo espelho de água. Quem sabe até faça por aqui um piquenique ao almoço, como nós fizemos e não nos arrependemos.

Sugestão de alojamento para este dia – Ficámos alojados perto de Santa Marta de Penaguião, na Quinta da Pousada. Esta quinta familiar com piscina dispõe de diversos quartos e é envolvida pelas vinhas desta região demarcada do Douro, que podem ser aqui apreciadas de vários pontos. Pudemos ainda aqui apreciar uma prova de vinhos locais e do Porto. Recomendamos.

Dia 2 – De Santa Marta de Penaguião a Viseu

A primeira paragem deste dia foi na cidade de Peso da Régua. Numa localização privilegiada, esta cidade intimamente ligada à produção de vinhos do Douro tem, também ela, paisagens únicas sobre o Rio Douro e sobre as vinhas que preenchem a paisagem ao seu redor.

Alguns locais de interesse a visitar em Peso da Régua:
Ponte Pedonal (Ponte Velha da Régua), que data já de finais do século XIX. Foi inicialmente construída para a travessia de veículos, mas com a sua deterioração foi restaurada e o trânsito passou em exclusivo para a ponte da Régua, que se vê também daqui. Hoje é de utilização pedonal exclusiva e vale a pena atravessá-la e admirar a sua arquitectura única.

Fundamental passar por:
– Mercearias ou bancas de “rebuçadeiras” para comprar os típicos Rebuçados da Régua.

Seguiu-se a cidade de Lamego. Com uma história considerável, beneficia também da sua proximidade com as margens do Douro para ter paisagens únicas e uma vasta produção de bons vinhos. Tem nas famosas Festas em honra de Nossa Senhora dos Remédios (entre Agosto e Setembro) uma das maiores festas populares do país.

Alguns locais de interesse a visitar em Lamego:
Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, com a sua impressionante escadaria de 686 degraus, que é uma das imagens de marca da cidade;
Sé Catedral de Lamego, um edifício imponente que deriva já de um templo do século XII;
Castelo de Lamego, cuja história vem ainda de antes da criação do nosso país, com a sua imponente torre de menagem a destacar-se do alto dos seus 20 metros.

Fundamental passar por:
Casa das Bôlas, perto da Sé, para se deliciarem com as famosas e deliciosas “Bôlas de Lamego”.

A paragem seguinte da N2 foi na vila de Castro Daire, uma vila que se mantém fiel às suas origens e intimamente ligada à natureza e biodiversidade, dada a sua ligação com a Serra de Montemuro e com o Rio Paiva.

Alguns locais de interesse a visitar em Castro Daire:
Igreja Matriz de São Pedro, um templo medieval e reconstruído no século XVIII, com uma localização privilegiada junto ao rio.
Miradouro da Misericórdia (40º53´46.89″N; 7º56´06.55″W), a poucos metros da Igreja Matriz e com uma excelente perspectiva sobre o Rio Paiva;
Fonte dos Peixes, uma fonte histórica num largo que é um dos sítios mais visitados da Vila, sendo atravessado pela N2.

Fundamental passar por:
Pastelaria Forno da Serra, para provar (entre outras coisas), o “Bolo Podre” tão típico desta região.

A última paragem deste dia foi a cidade de Viseu. Desde a sua história ligada aos Lusitanos e a Viriato, à sua ligação à região demarcada de vinhos do Dão e até aos seus vastos espaços verdes urbanos, fazem desta uma paragem obrigatória.

Alguns locais de interesse a visitar em Viseu:
– Percorrer o Centro histórico pelas suas ruas empedradas, repletas de edifícios históricos e monumentos;
Praça da República, com os seus jardins, fontes e esplanadas;
Sé Catedral de Viseu, um templo fantástico que nos impressiona com o seu exterior austero e o seu interior rico em detalhes . Tem no seu interior um museu de arte sacra, com bilhetes a 2,5€/pessoa.
Igreja da Misericórdia, situada em frente da Sé e com uma imponente fachada em estilo rococó;
Cava e estátua de Viriato, uma fortaleza construída em terra, com um enorme fosso ao seu redor, sendo considerada a maior construção deste género em toda a Península Ibérica. No seu exterior encontramos também a estátua do herói lusitano, Viriato.

Fundamental passar por:
Confeitaria Amaral, para comer um “Viriato”, doce típico da cidade.

Desvios à N2 neste dia – Durante este dia foram realizados 4 desvios à rota da N2:
1) Miradouro de São Leonardo de Galafura (41°10′21.684″N; 7° 40′19.887″W): Este miradouro fica a aproximadamente 19km do Peso da Régua mas vale MUITO cada metro de desvio. Do alto dos seus 566 metros de altura temos uma vista privilegiada sobre o Douro e de localidades vizinhas, que não se consegue descrever de tão bela que é. Miguel Torga era um apaixonado por este miradouro e fez dedicou-lhe inclusive um poema, eternizado na parede da capela ali existente. Vale a pena!



2) Serra de Montemuro e Portas de Montemuro (40º58’0.123″N; 8º0’33.992W): Após o km 130 da N2, acessível cortando pela EN321 em direção a Cinfães. Esta serra proporcionou-nos vistas cénicas e paisagens arrebatadoras. Do seu alto, as Portas de Montemuro (coordenadas acima e com mais de 1200 metros de altitude) facilmente acessíveis de carro detêm vestígios da idade média e uma vista panorâmica única.



3) Praia Fluvial da Folgosa (40º53’18.7″N; 7º54’20.6″W):  Facilmente acessível a partir de Castro Daire, esta praia fluvial vigiada do Rio Paiva é repleta de áreas verdes e foi o local ideal para um mergulho.



4) Baloiço da Pedreira (40º48’59.815″N; 7º56’0.038W – para estacionar; 40º49’7.736″N; 7º56’2.201″W – localização do baloiço): um baloiço criado junto à aldeia de Cela (Castro Daire), num curto desvio à N2. Fica numa pedreira actualmente desactivada, sendo que a lagoa ali existente lhe confere um ar ainda mais especial.

Sugestão de alojamento para este dia – Neste dia ficámos alojados perto bem no centro de Viseu, no Avenida Boutique Hotel. Este hotel é dos mais antigos da cidade mas está totalmente renovado, tendo uma óptima localização com estacionamento gratuito nas proximidades. Uma excelente relação qualidade/preço. Se voltássemos, certamente repetíamos a estadia.

Dia 3 – De Viseu a Pedrogão Pequeno

A primeira paragem deste 3º dia foi na cidade de Tondela. Envolta pela Serra do Caramulo, mantém-se ligada às suas tradições e com uma actividade agrícola ainda significativa, maioritariamente ligada à área vitivinícola, dado encontrar-se também na Região Demarcada do Vinho do Dão.

Alguns locais de interesse a visitar em Tondela:
Igreja Matriz de Tondela, um templo imponente de finais do século XIX, junto ao simpático centro histórico da cidade;
Fonte da Sereia (40º31’04″N; 8º04’45″W), um dos monumentos mais conhecidos da cidade. Intimamente ligada à lenda de Tondela, em que toda a povoação se reunia em caso de ataque inimigo durante a ocupação muçulmana, após soar a trompa de uma mulher (Maria da Fonte) que vigiava o horizonte.

Seguiu-se a cidade de Santa Comba Dão. Encostada ao Rio Dão e conhecida por ser a terra natal de António de Oliveira Salazar, tem um centro histórico que vale a pena visitar, com traçados medievais e com praças e largos cuidados e tranquilos.

Alguns locais de interesse a visitar em Santa Comba Dão:
Igreja Matriz, um bonito templo do século XVIII, do estilo barroco;
Miradouro do Outeirinho (40º23’37.576″N; 8º7’50.215″W), a poucos metros da igreja matriz e com vista para o Rio Dão e sobre a Ponte Velha do Rio Dão (de antigo domínio romano);
Escola Cantina Salazar, um edifício histórico com uma arquitectura singular, tendo sido utilizada como apoio social escolar, o primeiro deste género em Portugal. Está actualmente em obras, para se tornar o “Centro Interpretativo do Estado Novo”.

O destino seguinte foi Penacova. Para lá chegar, como explicámos acima no tópico “Antes de partir”, passámos aquele que foi um dos troços mais confusos e que exigiu maior orientação da nossa parte para não sairmos da N2. Neste caminho atravessamos a Barragem da Aguieira e deixamo-nos envolver pelo Mondego que nos acompanha em diversos momentos da estrada. A vila de Penacova recebe-nos então, repleta de encantos naturais dada a sua localização privilegiada à beira deste rio e envolvida pelas Serras do Buçaco e do Roxo.

Alguns locais de interesse a visitar em Penacova:
Livraria do Mondego, formação rochosa de quartzitos com uma orientação vertical na margem do Mondego, dando uma perspectiva de estante de livros. Pode ser apreciada pela N2, mas para poder parar e fotografar terá se ser realizado em local seguro, para percorrer os passadiços ali existentes.
Praia Fluvial do Reconquinho, uma praia fluvial galardoada, banhada pelo Rio Mondego. Ideal para uma paragem e para refrescar.

Dica extra:
– Aqui é especialidade gastronómica a Lampreia, ou não fosse Penacova considerada a capital da Lampreia. Segundo os locais, a Lampreia fresca (directamente do Rio Mondego) é essencialmente disponibilizada entre fevereiro e abril.

De seguida dirigimo-nos para Vila Nova de Poiares. Também ela abençoada pela beleza da natureza circundante, é uma vila conhecida pelas suas romarias e festas, bem como pela sua maravilhosa gastronomia.

Alguns locais de interesse a visitar em Vila Nova de Poiares:
Igreja Matriz de São Miguel, um edifício do século XVIII, de onde se destacam as suas duas torres sineiras;
Jardim do Largo da República (junto à Igreja Matriz), um jardim cuidado e acolhedor, envolvido por casas históricas, de onde se destaca o edifício dos Paços de Concelho.

Fundamental passar por:
Central Bar, no centro da Vila e junto dos locais de interesse referidos anteriormente. Um bar com gente simpática, onde se vive o espírito da N2 e com variado merchandising relacionado com a mítica estrada.

A penúltima paragem deste dia foi na vila de Góis. Atravessada pelo Rio Ceira e ladeada das imponentes Serras da Lousã e do Açor é um sítio imperdível para qualquer amante de natureza, tendo nos seus arredores aldeias de xisto – Aigra Nova, Aigra Velha, Comareira e Pena – que valem a visita (se tiverem tempo).

Alguns locais de interesse a visitar em Góis:
Igreja Matriz, cuja construção remonta já ao século XV e com diversos melhoramentos até aos dias de hoje, é um elemento de destaque na paisagem de Góis;
Ponte Real, um monumento nacional imponente, mandada construir no século XVI por D. João III;
Praia Fluvial da Peneda, uma praia fluvial encantadora, “abraçada” pela Vila de Góis, frequentemente galardoada com a bandeira azul.

A último ponto de paragem neste dia na rota da N2 foi a aldeia de Pedrogão Pequeno. Esta a única Aldeia do Xisto atravessada por esta estrada nacional e aqui começamos a notar já a diferenças das construções, todas em tons de branco com ombreiras e rodapés a destacarem-se pelas suas cores.

Alguns locais de interesse a visitar em Pedrogão Pequeno:
Igreja Matriz de S. João Baptista, um imóvel de interesse público, que já pertenceu à Ordem de Malta, cuja construção remonta ao século XVI;
Miradouro do Monte de Nossa Senhora da Confiança (39º54’39.881″N; 8º7’50.033″W), que com uma eremida lendária ali mandada construir originalmente (segundo a lenda) no século XIII, nos dá uma vista cénica sobre o Rio Zêzere e a Barragem do Cabril;
Ponte Filipina do Cabril (39º54’16.358″N; 8º8’24.015″W), considerada um monumento nacional, originalmente criada pelos Romanos e posteriormente recuperada durante a dinastia Filipina em Portugal, essencial na época para a travessia do Zêzere (atenção aos acessos).

Desvios à N2 neste dia – Durante este dia foram realizados 2 desvios à rota da N2:
1) Termas do Granjal (40º24’45.45″N; 8º05’53.72″W): Uma nascente termal do século XIX na localidade do Granjal, num desvio de pouco mais de 3km da N2 antes de chegar a Santa Comba Dão. O cheiro sulfúrico das águas é notório, assim como a cor forte da sua água, que dizem ter propriedades únicas para doenças de pele e reumáticas. Ainda assim, não sendo controlada, aconselhamos precaução na sua utilização.



2) Praia Fluvial do Trízio (39º43’46.982″N; 8º13’53.583″W): um autêntico paraíso na localidade de Trízio (Sertã), onde terminámos o dia a banhos no Rio Zêzere, num desvio de aproximadamente 12 km da N (a partir do Km 350 – direção Cumeada e Palhais).

Sugestão de alojamento para este dia – Neste dia ficámos alojados no Hotel da Montanha, em Pedrogão Pequeno. Não foi a primeira vez que aqui ficámos alojados e também aqui encontrámos uma excelente opção em termos de qualidade/preço e bem próxima da N2. Tem ainda a vantagem de se encontrar no Monte de Nossa Senhora da Confiança, um dos pontos a não perder nesta localidade.

Dia 4 – De Pedrogão Pequeno a Brotas

A vila da Sertã foi a primeira paragem deste 4º dia de viagem. Com uma história vasta, onde até se inclui um domínio da Ordem dos Templários nesta região. Uma localidade acolhedora atravessada por duas ribeiras: a da Sertã (ou Ribeira Grande) e a do Amioso (ou Ribeira Pequena), tornando-a intimamente ligada a este elemento.

Alguns locais de interesse a visitar em Sertã:
Castelo da Sertã, um castelo recheado de história e que se pensa ter sido construído na época dos Lusitanos;
Ponte da Carvalha (e área verde circundante), uma ponte reconstruída também durante o domínio Filipino em Portugal, no que restava dos vestígios de uma outra ponte que se acreditava ser do período de ocupação Romana. O seu jardim circundante também é lindo e convida a uma paragem (estacionamento no local);
Praia Fluvial da Ribeira Grande, na nossa opinião não tão bonita como a do Trízio, mas bem no centro da vila e vale a paragem para refrescar.

Dica extra:
– Aqui são especialidades gastronómicas o Maranho, o Bucho Recheado e a Sopa de Peixe. Se pretenderem experimentar alguma desta iguarias, aqui será o local ideal.

Seguiu-se Vila de Rei, vila que marca o centro do nosso país e quase o meio da N2. Com uma paisagem maioritariamente montanhosa, é rodeada por ribeiras e pelo próprio Rio Zêzere, tendo identificado no topo da Serra da Melriça o centro geodésico de Portugal.

Alguns locais de interesse a visitar em Vila de Rei:
Centro Geodésico de Portugal (39º41’40.2″N; 8º7’49.799″W) , no topo da Serra da Melriça (desvio de 1km da N2), onde um imponente marco de 9 metros de altura identifica o centro de Portugal;
Praia Fluvial do Penedo Furado (39º37’31.87”; 8º9’44.48”W), uma das estâncias balneares mais procuradas neste concelho. Com águas cristalinas, quedas de água e um passadiço com vistas deslumbrantes, vale a paragem (e um mergulho!).

Dica extra:
– O ponto central da N2 dá-se após a localidade de Vila de Rei, mais especificamente no Km 369,630 da estrada (não existindo ainda um marco específico do mesmo). A partir de Vila de Rei até à localidade de Alferrarede (Abrantes) o traçado da N2 divide-se entre o traçado primitivo (mais sinuoso e com menos movimentos) e o traçado moderno, mais rápido mas passando menos na “génese” da estrada. Dado termos o tempo mais contado, optámos por fazer o traçado moderno, mas iremos fazer o primitivo numa próxima oportunidade.

Chegámos então à vila de Sardoal, que se encontra praticamente entre as paisagens da Beira Baixa e as lezírias do Ribatejo, sendo uma terra de tradições e com um vasto património, especialmente religioso.

Local de interesse a visitar em Sardoal:
Igreja de S. Tiago e S. Mateus, um templo do século XVI que é um elemento de destaque na localidade. Esta localidade assume uma beleza particular durante o período de Quinta Feira Santa a Domingo de Páscoa, em que o chão dos templos religiosos da localidade são enfeitados com pétalas de flores, fazendo efeitos maravilhosos;

Fundamental passar por:
Potes Bar, onde o guia da N2 da “Foge Comigo” dizia existirem “em tamanho XXL das melhores tostas” da mítica estrada e é mesmo verdade. São enormes e óptimas! Recomendamos!

A paragem seguinte foi na cidade de Abrantes. Com ruas coloridas e repletas de histórias, vale a pena conhecer esta cidade, que tem no seu castelo/fortaleza uma imagem de marca, com uma vista única. Encontramos também neste concelho um dos principais recursos de Portugal a nível hídrico: a Barragem de Castelo de Bode.

Alguns locais de interesse a visitar em Abrantes:
Castelo/Fortaleza de Abrantes, uma construção militar que dizem já aqui existir antes dos tempos de D. Afonso Henriques. Sofreu várias alterações e melhoramentos ao longo dos anos, destacando-se a sua torre de menagem, que permite vistas únicas sobre os arredores;
Igreja de Santa Maria do Castelo, igreja que se encontra no interior do Castelo, construída entre os séculos XIII e XV. No seu interior existe o Museu D. Lopo de Almeida. Entre várias exposições com elementos ligados à história local, aqui existe também o panteão dos Almeidas, históricos nobres de da região de Abrantes.

Dica extra:
– Para os mais gulosos, aqui encontramos como especialidade a “Palha de Abrantes”, um pequeno bolo redondo, coberto com fios de ovos. Não provámos (para tentarmos controlar os níveis de açúcar ao longo da viagem) mas dizem ser óptimo!

A penúltima paragem deste dia foi na localidade de Ponte de Sor. Esta cidade com uma grande ligação à extração de cortiça, deve o seu nome a uma ponte romana que aqui existiu e que foi reconstruída durante o século XVI, quase inexistente actualmente. A sua ligação com a natureza convida a uma paragem nesta roadtrip.

Alguns locais de interesse a visitar em Ponte de Sor:
Mural “Nossa Senhora da Cortiça” (39º14’50.656″N; 8º0’46.483″W) e Mural “O tempo tudo cura”(39º14’49.571″N; 8º0’30.425″W), ambas do autor Zed1, com um simbolismo muito próprio e ligado à região;
Ponte pedestre (39º15’18.088″N; 8º0’15.116″W) e zona ribeirinha, uma ponte com um design único e que abre caminho para explorarmos a zona ribeirinha desta localidade, com toda a sua calma envolvente;
Albufeira de Montargil, ainda localizada no concelho de Ponte de Sor e passada na rota da N2, com paisagens idílicas que nos levam a querer parar para apreciar a cada km.

A última paragem deste 4º dia foi na pequena aldeia de Brotas. Esta localidade é literalmente atravessada pela N2 e é também ela repleta de lendas, locais maravilhosos e pessoas fantásticas que não mais esqueceremos. Aqui existiu o maior culto Mariano do nosso país entre os séculos XVI a XVIII.

Alguns locais de interesse a visitar em Brotas:
Igreja Matriz de Brotas, um bonito templo do século XV, construído em honra de Nossa Senhora que, de acordo com a lenda, terá aparecido a um pastor nesta localidade.
Rua da Igreja, com casas históricas e lindíssimas, algumas delas que serviam de albergue para os muitos peregrinos que, principalmente entre os séculos XVI e XVII, ali se dirigiam e ficavam para venerar o culto de Nossa Senhora de Brotas.

Fundamental passar por:
Restaurante “O Poço”, no centro de Brotas, onde além de termos sido tratados como amigos de longa data, comemos iguarias alentejanas que ainda hoje nos fazem suspirar com saudades.

Desvios à N2 neste dia – Durante este dia foram realizados 2 desvios à rota da N2:
1) Barragem de Castelo de Bode (39º32’31.716″N; 8º19’6.93″W): Esta que é uma das principais centrais hidroeléctricas do país, é repleta de locais lindos ao seu redor, com praias onde é possível inclusíve dar um mergulho. Nem que seja para vermos a imponência da barragem (coordenadas acima), vale a pena passar por lá.



2) Castelo de Almourol: Fizemos uma visita ao castelo de Almourol a partir do cais de Tancos, com a empresa Tritejo. Esta empresa tem um barco electro-solar, cujo “capitão” (com uma simpatia impar) nos introduziu à lenda templária e nos enquadra na história deste castelo ao longo da viagem, deixando-nos lá directamente para o podermos explorar ao nosso ritmo. Um experiência única!


Sugestão de alojamento para este dia – Neste dia ficámos alojados nas Casas de Romaria, em Brotas. Este alojamento consistiu numa casa completa, equipada com cozinha, precisamente na histórica Rua da Igreja. Além do excelente acolhimento e simpatia da proprietária, pudemos experimentar aqui o verdadeiro espírito desta localidade. Repetíamos a experiência, sem dúvida!

Dia 5 – De Brotas a Ferreira do Alentejo

A primeira paragem deste dia foi na simpática localidade do Ciborro. Encontra-se no limite do concelho de Montemor o Novo, vivendo num ritmo calmo e onde os tocadores de acordeão são abundantes, numa tradição que se mantém para perpetuar a história desta localidade.

Fundamental passar por:
Marco do Km 500, aqui colocado com pompa e circunstância, sendo um motivo de orgulho para a localidade e para os seus habitantes;
– Se pararem no marco quilométrico, passem pelo Snack Bar “O Ciborro”, um café local que fica mesmo em frente, onde podemos refrescar e até comprar algum tipo de merchandising relacionado com a N2.

A paragem seguinte foi na cidade de Montemor o Novo. Este é um dos maiores concelhos em termos de área do nosso país, sendo um local repleto de história, alguma dela marcante para a definição do nosso país como hoje o conhecemos.

Alguns locais de interesse a visitar em Montemor o Novo:
Castelo de Montemor o Novo, talvez o monumento mais conhecido e visível de vários pontos da cidade, construído sobre ruínas de outra fortificação pré histórica. Aqui “escreveram-se” importantes episódios da história de Portugal, especialmente durante a Restauração da Independência e durante as Invasões Francesas;
Igreja Matriz, que foi em tempos o Convento de São João Deus e onde se encontra a cripta deste conhecido santo português. Vale a pena admirar o tecto da igreja, com frescos lindíssimos.

A penúltima paragem deste dia foi na vila do Torrão. Poderia dever o seu nome às altas temperaturas que aqui se fazem sentir (e se sentimos isso quando lá passámos), mas não é o caso. Aqui encontramos – como não poderia deixar de ser – boas gentes e uma gastronomia de “chorar por mais”.

Alguns locais de interesse a visitar em Torrão:
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção (38º17’45.127″N; 8º13’48.693″W), um templo que remonta já ao século XIII, reconstruído e melhorado ao longo dos anos, enquadrada num conjunto de casas típicas desta região do país;
Praça Bernardino Ribeiro (junto à Junta de Freguesia do Torrão), uma praça típica onde se encontram diversos elementos históricos, como uma placa de cimento de “paragem de autocarros” e um “marco do correio”, ambos em óptimo estado de conservação.

Fundamental passar por:
Restaurante “O Tordo”, onde comemos até “cair para o lado” das melhores iguarias da região. Fica mesmo encostado à N2 e também aqui encontramos vários elementos relacionados com esta estrada e quem a percorre;
– Ao Km 574 (após o Torrão) passamos uma zona cénica de estrada, com um túnel lindíssimo de pinheiros mansos a abraçar a N2.

A última paragem da rota da N2 neste dia foi na vila de Ferreira do Alentejo. No coração do Alentejo, esta localidade tem também ela uma história vasta e tradição religiosa, com vestígios pré históricos e da ocupação romana que enriquecem a passagem.

Alguns locais de interesse a visitar em Ferreira do Alentejo:
Capela do Calvário (ou de Santa Maria Madalena), um edifício religioso com uma arquitectura singular, que data do século XVI, que vale a pena visitar (apanhámo-lo em obras de melhoramento);
Mural de duas locais a conversar (não sabemos o nome original) do ilustrador Hugo Lucas (38º3’27.824″N; 8º7’7.244″W) e Mural de Homenagem ao Cante Alentejano (38º3’27.686″N; 8º7’9.742″W), de António Alves, este último de homenagem ao tradicional “cante alentejano”, Património Imaterial da UNESCO.

Desvios à N2 neste dia – Durante este dia foram realizados 2 desvios à rota da N2:
1) Anta Capela de São Brissos ou de Nossa Senhora do Livramento (38º31’28.98″ N; 8º07’45.98″W): uma capela que foi construída sobre uma anta pré histórica, tendo uma arquitectura invulgar. Está habitualmente fechada, mas pode-se pedir para ser aberta através de um número de telefone existente no local. A paisagem envolvente vale também a pena!



2) Barragem de Odivelas (38º11’06.54″N; 8º06’54.66″W): uma das maiores barragens do Baixo Alentejo, com paisagens únicas e convidativas para uma paragem… Para mergulhar e para absorver aquela tranquilidade que a envolvência de natureza nos consegue transmitir.

Sugestão de alojamento para este dia – Neste dia ficámos alojados na Pousada do Alvito, na localidade do Alvito. Apesar de ficar algo desviado da N2, aproveitámos uma promoção que existiu durante este período, em que o Grupo Pestana (responsável pelas Pousadas de Portugal) fez descontos de 50% nas estadias para profissionais de saúde. Um hotel agradável, localizado num antigo castelo, que sinceramente pecou por alguns detalhes que consideramos essenciais para esta fase específica em que se exigem medidas extraordinárias devido à pandemia de COVID-19. Neste sentido, não seria a nossa primeira escolha caso repetíssemos a aventura.

Dia 6 – De Ferreira do Alentejo a Faro

Neste último dia de viagem, fizemos a primeira paragem na vila de Aljustrel. Com uma histórica ligação à extração mineira, é uma localidade encantadora, onde ressalta o branco dos seus edifícios e vistas únicas dos seus pontos mais elevados.

Alguns locais de interesse a visitar em Aljustrel:
Ermida de Nossa Senhora do Castelo, um santuário com uma vasta escadaria, cuja construção pensam que tenha sido realizada algures no Século XIV. É um local de devoção local, com uma lenda religiosa associada a uma pedra existente no exterior da ermida. A vista deste ponto é também algo que vale a visita;
Moinho do Maralhas (37º52’25.863″N; 8º9’34.523″W), existente numa colina da parte sul desta localidade, também ela com uma perspectiva fantástica sobre Aljustrel. Dizem que em tempos existiram 17 nesta localidade, mas dos poucos já existentes este é dos que está em melhor estado de conservação. Parte do caminho para lá chegar é em terra batida mas acessível.

Fundamental passar por:
– Localidade de Ervidel (Km 607), antes de Aljustrel. Num dos pontos mais elevados desta pacata vila encontramos a belíssima Igreja Matriz (37º57’48.085″N; 8º5’5.909″W) de onde podemos vislumbrar, ao longe, a Barragem do Roxo, numa envolvência singular.

Dirigimo-nos de seguida para Castro Verde, uma vila pacata e com fortes tradições religiosas. Está também intimamente ligada à história de Portugal, por ter sido aqui perto realizada a Batalha de Ourique em 1139, onde D. Afonso Henriques foi aclamado rei de Portugal.

Alguns locais de interesse a visitar em Castro Verde:
Basílica Real de Castro Verde, um imponente templo que data do século XVI. A entrada é gratuita e o seu interior do estilo barroco é repleto de detalhes, entre eles diversos painéis de azulejo referentes à Batalha de Ourique;
Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, um templo construído no século XVII, igualmente imponent e localizado no centro da vila. É considerado “Monumento de Interesse Público”;
Praça do Município e Rua D. Afonso Henriques, onde se encontram edifícios típicos e com traços lindíssimos, bem como um obelisco evocativo da Batalha de Ourique (em frente do edifício dos Paços de Concelho).

A paragem seguinte foi a vila de Almodôvar. Com um nome e uma história que deriva da época árabe, é mais um ponto de paragem a não perder no Baixo Alentejo, em paisagens que se misturam entre a planície e a serra.

Alguns locais de interesse a visitar em Almodôvar:
Igreja Matriz de Santo Ildefonso (37º30’42.738″N; 8º3’36.691″W), um imponente templo do século XVI. Dizem-nos os locais que a sua fachada principal teve já duas torres sineiras, existindo hoje apenas uma tendo a outra sido destruída há muitos anos por um raio e nunca mais ter sido reconstruída.
Mural perto da igreja matriz (37º30’43.626″N; 8º3’36.263″W) com elementos locais, que vale a pena recordar e registar.

A penúltima paragem deste dia foi na vila de São Brás de Alportel. Como referimos no início deste post, entre Almodôvar e este ponto (Km 663 a 718), a N2 é considerada Estrada Património, mantendo muitos dos seus traços originais requalificados.

Alguns locais de interesse a visitar em São Brás de Alportel:
Miradouro do Alto da Arroteia (junto ao Km 720 – 37º9’32.798″N; 7º54’28.985″W), antes de chegarmos a S. Brás de Alportel (quem vem de Norte-Sul), com vista para a serra e para o mar;
Largo de S. Sebastião, uma zona agradável no centro da vila, onde entre outras coisas podemos encontrar um antigo posto da Brigada de Trânsito (agora uma pizzaria). Existem apenas 4 ao longo da N2. Vale a pena fazer este trajecto a pé até ao local seguinte:
Igreja Matriz de S. Brás de Alportel (37º9’1.639″N; 7º53’18.705″W), um templo que se acredita ser do século XV e que vale tanto pelo seu interior como pela vista do exterior, onde com céu limpo é possível já vislumbrar, ao fundo, o mar!

Dica extra:
– Ainda pertencente ao concelho de Loulé e antes de entrarmos no concelho de São Brás de Alportel, atravessamos as curvas e paisagens idílicas da Serra do Caldeirão. Vale a pena encostar no Miradouro da Serra do Caldeirão (junto ao km 697) e desfrutar da vista a partir dos quase 600 metros de altitude deste ponto.
– Se por acaso a fome vos apertar por esta altura, recomendamos paragem na Casa dos Presuntos em Cortelha (Loulé). Fica mesmo encostado à N2 e tem iguarias maravilhosas!

Faro marcou a última paragem desta roadtrip. Muito mais do que praia, esta cidade é um enorme misto de história e cultura que vale a pena explorar e conhecer, para terminarmos este aventura de forma ainda mais memorável.

Alguns locais de interesse a visitar em Faro:
Sé Catedral de Faro, um edifício considerado de Interesse Público e um dos mais importantes de Faro. A sua construção acredita-se remontar ao século XIII, sendo a entrada paga para visitar o seu interior.
– Atravessar o Arco da Vila (37º0’53.259″N; 7º56’5.732″W), um arco ornamentado que era um dos pontos que dava acesso à zona muralhada da cidade;
– Percorrer a Zona das muralhas e do Castelo, onde muralhas nos transportam para uma zona antiga da cidade repleta de sítios para descobrir;
“Letras” de Faro (37º0’57.048″N; 7º56’7.319″W), mais um ponto com uma envolvência maravilhosa para registarmos em fotografia ou simplesmente passearmos pela doca de Faro no final desta viagem.

Fundamental passar por:
– Paragem junto da rotunda do Km 738, para registar a chegada a Faro. Tenham em atenção que não existem passadeiras para aceder à rotunda, pelo que o devem fazer com precaução e sem transtornar quem se encontra em circulação. Somos apologistas de deixar sempre tudo tal e qual como encontramos, pelo que não pintem ou danifiquem nada daquilo que forem encontrando. Aqui, este nosso conselho não é excepção…


Como dissemos inicialmente, numa roadtrip como estas tivemos de tomar muitas decisões e fazer opções no que toca aos locais de paragem e ao que visitar em cada um deles. As sugestões que apresentamos referem-se a isso mesmo, à estrutura que conseguimos e que optámos por realizar, para que fazer esta mítica estrada não fosse apenas percorrer o alcatrão mas sim viver o possível na sua máxima plenitude. Teríamos certamente muito mais para ver e conhecer ao longo do caminho, mas ficará para uma repetição desta experiência única.

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