Mývatn

No norte da Islândia existe um lago fantástico e rodeado de locais que mais parecem saídos de sonhos, que dá pelo nome de Mývatn. Com 36,5 km² é o quarto maior lago da Islândia, constituindo uma reserva natural que motiva a visita tanto de turistas como de locais.Estaríamos a mentir se disséssemos que a zona de Mývatn não foi da nossas preferidas nesta roadtrip. Ao circular pela Islândia é comum sentirmos a energia da natureza no seu estado mais puro a preencher-nos os sentidos, tal é a imensidão de tudo o que nos envolve. Mas esta reserva natural tem esta grandeza “demasiado” concentrada, com o seu lago, grutas, campos de lava, vulcões e zonas geotermais para banhos relaxantes à nossa disposição. De sonho!

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Ao percorrermos o lago, verificamos que a única localidade com alguns serviços essenciais (bombas de gasolina, mini mercados e afins) é Reykjahlíð. De resto, ao redor do lago vamos encontrando vários restaurantes e hotéis mais concentrados, mas nunca em demasia, junto dos locais mais turísticos.

A visita a esta zona teve de começar por aquilo que lhe dá o nome: o lago Mývatn. Além da flora riquíssima e dos contrastes que a neve nos transmitia com os reflexos do lago, dizem aqui existir 58 espécies de aves, sendo que é o único local do mundo onde se podem ver 14 espécies diferentes de patos a coabitar.

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De seguida, seguimos em direção à área de Námaskarð, com os campos de lava envolventes. Sinceramente, fez-nos lembrar aquelas paisagens que vemos das imagens de Marte, tudo isto sem tirar os pés do nosso planeta.

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As cores avermelhadas da terra, as fumarolas, o cheiro a enxofre no ar e os lagos fumegantes e com bolhas de ar a rebentar do seu interior são algo que nem se consegue descrever bem, apenas vendo se percebe o que estamos a transmitir. Existe um parque de estacionamento gratuito na área, que permite fazer uma caminhada pela zona envolvente, devendo sempre manter-se o cuidado de seguir as regiões devidamente assinaladas, por segurança e instabilidade do solo.

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A 10km da área de Námaskarð, encontramos a cratera Viti no Vulcão Krafla. A estrada até lá está em óptimas condições e passamos diversas centrais termoelétricas da região, até pararmos o carro à beira da estrada juntamente com outros carros  (não se preocupem, o movimento é ínfimo) e fazermos o trilho até à cratera. Este trilho é curto e com pouca inclinação mas enganou-nos, por causa da neve…

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A cada passo, os pés iam enterrando uma profundidade considerável o que, aliado à altitude, nos fazia cansar com mais facilidade. Mas ao chegarmos ao topo do vulcão deparamo-nos com uma cratera que tem 10km de diâmetro e 2km de profundidade, com um lago de cores claras e algo congelado no seu interior. “Viti” significa “Inferno” e não é por acaso que foi o nome escolhido para esta cratera, dado que este vulcão tem 29 erupções registadas, a última delas que durou 9 anos e terminou em 1984.

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Ao andarmos a circular ao redor do lago de Mývatn, tivemos sempre um vulto no horizonte que nos foi acompanhando, nada mais nada menos do que Monte Hverfjall. Traduzindo o nome, significa o “Monte da Cratera” e tem 420 metros de altura, tendo dois trilhos que permitem subir ao seu topo.

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Nós optámos por deixar o carro junto de outros carros, num estacionamento improvisado junto ao trilho que levava ao vulcão (coordenadas 65.610720, -16.917319), seguindo depois por um caminho de 2 km até ao sopé do monte. A subida deve ser realizada com algum cuidado, principalmente se existir neve na área que pode levar a escorregadelas, podendo ser feita de forma autónoma e sem qualquer guia. Acreditem, a subida valeu cada passo quando chegamos ao topo. À nossa frente, tínhamos uma cratera de 1km de diâmetro (que tem um trilho que se pode realizar mas não chegámos a fazer), com uma aura de neve que contrastava com o sol que se fazia sentir naquele dia, e onde o único som que ouvíamos era o do vento que de vez em quando nos dava um ar da sua presença. Eramos as únicas pessoas ali, naquele momento, e simplesmente sentámo-nos, a absorver e a agradecer a sorte que tínhamos por estar a sentir aquele momento. A descida dá-se pelo mesmo sítio, com as mesmas (ou até redobradas) precauções de segurança que aconselhamos na subida.

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Perto do Monte Hverfjall, encontramos a gruta de Grjotagja e foi para lá que, após voltarmos ao carro, nos dirigimos de seguida. Esta gruta tem nas águas do seu interior o seu principal motivo de atração, sendo de uma cor azul cristalina, até difícil de captar em imagem. Em tempos serviu para banhos termais, mas hoje é uma propriedade privada e os banhos estão proibidos, até por razões de segurança. Ainda assim, podemos entrar livremente (claro que com alguma precaução), para o seu interior e admirar as águas cristalinas e fumegantes no seu interior, que também se tornou famoso por ter integrado cenas da série “Guerra dos Tronos”.

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E após todas as emoções fortes vividas nesta região, não há melhor forma de concluir esta visita do que indo à área dos banhos quentes de Mývatn. Estas são as maiores rivais da Blue Lagoon no sul da Islândia, com águas com altas concentrações de minerais, que lhe conferem as famosas cores convidativas. Se aliarmos a isso a envolvência de neve, com muitos menos fluxo de turistas do que na Blue Lagoon e a temperatura da água entre 36º e 40º, temos as condições ideiais para relaxar.

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A água geotermal na Islândia tem altos compostos de sulfuroso,  sendo este mais concentrado nesta zona, pelo que é aconselhável não levarem objectos de prata caso pretendam usufruir destas águas. Ainda assim, compensa bem pelas vantagens que estas propriedades da água têm nos problemas respiratórios e de pele. A entrada para um adulto durante um dia (em abril) é de 4500 ISK ± 32€, variando o preço consoante a época do ano, correspondendo aproximadamente a metade do preço praticado na Blue Lagoon. Para mais informações, visitem o site.

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Se a juntar a tudo isto vos dissermos que vimos a maior aurora boreal da nossa roadtrip aqui na zona de Mývatn, não há como não adorar e recomendar uma visita.

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Onde ficar: Fosshotel Mývatn. Um hotel maravilhoso, integrante de uma cadeia de hoteis na Islândia, com óptimas condições e comodidades. O staff era muito prestável e no lobby e restaurante tínhamos acesso a uma enorme vitrine com vista para o lago Mývatn e para o Monte Hverfjall. Uma noite para duas pessoas fica aproximadamente em 70€ (dependendo da época do ano), com pequeno almoço incluído na área do restaurante, com direito à magnífica vista descrita acima!

Dicas extra:

  • Dedicámos dois dias completos para explorar e absorver calmamente todos os recantos que partilhámos. Dependendo do tempo que quiserem dedicar a cada um dos pontos, podem fazê-lo num dia só, mas (na nossa opinião) vale a pena prolongar a estadia nesta área da Islândia;
  • Lonely Tree é uma árvore que se destaca por entre a pedras, na região Este do lago de Mývatn (coordenadas 65.569536, -16.944194). Esta zona ganha um novo encanto ao pôr dol sol, destacando-se as cores e tons envolventes. Se calhar em caminho, sugerimos a visita!

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2 thoughts on “Mývatn

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