O sul da Islândia

O sul da Islândia é das zonas mais turísticas da ilha, sendo igualmente onde encontramos alguns dos pontos mais conhecidos, cujas fotos são sobejamente conhecidas e nos encantam de cada vez que as vemos. Mas acreditem, por mais fotografias que já tivéssemos visto de locais nesta zona que queríamos conhecer, não estávamos de todo preparados para aquilo que encontrámos ao vivo e a cores. Desde o Círculo Dourado (Golden Circle), passando por cascatas imperdíveis como a Skogafoss e a Seljalandsfoss, praias de areia preta e uma lagoa de icebergues, tudo ligado pela Ring Road (N1) e simplesmente imperdível.

Antes de partirmos nesta sugestão de aventura pelo sul da Islândia convém relembrar que todo o trajecto que aqui falamos tem uma extensão de quase 700km só ida, partindo de Reykjavík e terminando em Jökulsárlon, incluindo a ida à Blue Lagoon e fazendo o Golden Circle. Para fazer esta zona, aconselhamos pelo menos 4 dias sendo 1 dia para a Blue Lagoon; 1 dia para o Golden Circle; 1 dia para o trajecto até Vík; 1 dia até Jökulsárlon. A juntar a isto, convém contar ainda como extra a viagem de regresso à capital (mais ou menos 380km).

Mapa Sul Islândia

No nosso caso esta questão não se colocou, pois fizemos esta zona vindo de norte pela Ring Road, tendo começado por Jökulsarlón e terminando em Reykjavík. Caso possam fazer esta versão de trajecto, é o que mais aconselhamos.

A Blue Lagoon

Quase toda a gente que pretende conhecer o sul da Islândia parte de Reykjavík e acaba por fazer uma das paragens mais desejadas ali perto (52 km): a Blue Lagoon. Nós acabámos por não visitar, primeiro porque achámos os preços um pouco proibitivos, com preços médios por pessoa a rondar os 70€/dia e em segundo porque optámos por ir antes às piscinas naturais de Mývatn no norte da Islândia (mais baratas e menos turísticas). Esta lagoa com águas de tom azulado, têm como principal componente a sílica que tem propriedades medicinais, nomeadamente no tratamento de doenças de pele. Obviamente que também vale a pena a visita, pela experiência e para os amantes de fotografias, que têm aqui um local privilegiado para o efeito. Para mais informações, visitem o site oficial da Blue Lagoon,

O Golden Circle

Seguindo em direção a Este e Sul da ilha, vale a pena passar pelo Círculo Dourado (Golden Circle). Este é um dos circuitos mais conhecidos e turísticos para quem visita a Islândia e engloba três dos principais pontos de interesse, sendo eles o Parque Nacional de Þingvellir (onde encontramos o local em que as placas tectónicas americana e europeia se encontram, bem como o primeiro parlamento do mundo), a área geotermal com o famoso Geysir e a cascata de Gulfoss. Este circuito tem uma extensão circular de quase 300km de estrada que nos mostram paisagens de tirar o fôlego, sendo o circuito mais conhecido e que pode ser feito durante um dia. Para saberem mais sobre este circuito, bem como algumas dicas desde alojamentos a locais imperdíveis, consultem o nosso post sobre “O Círculo Dourado (Golden Circle)“.

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Parque Nacional de Þingvellir
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Gulfoss
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Strokkur (área geotermal)

As Seljalandsfoss e Glúfrafoss

Terminando a jornada pelo Golden Circle na cidade de Selfoss e seguindo pela Ring Road em direção a Este, chegamos à cascata de Seljalandsfoss. Esta cascata, que tem mais de 50 metros de altura, fica ao lado da Ring Road e está bem localizada, com estacionamento pago para os carros (700 ISK ± 5,70€ por dia). Além da sua imponência, tem uma característica muito peculiar: é das poucas cascatas do mundo onde se pode andar por trás da queda de água, seguindo um trilho identificado e apenas nos meses mais quentes, já que a neve dificulta e torna perigoso o acesso. Impressionante mesmo!

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Seljalandsfoss
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Perspectiva do interior da cascata

Um pouco mais adiante desta cascata vimos um trilho pelo qual seguimos a pé, com placas a indicarem a Glúfrafoss. Seguimos um pouco sem saber ao que íamos e acreditem, foi fantástico! Com muito menos turistas que a cascata anterior, encontrámos uma pequena fenda nas rochas, como uma gruta, onde passava um rio e tínhamos de articular com outras pessoas que lá estavam para, pé ante pé em cima de cada pedra, seguimos até à cascata propriamente dita. À nossa frente tínhamos uma imensa queda de água que caía dentro da gruta, iluminada pelos raios de sol que entravam na sua abertura superior. Inesquecível!

A Skogafoss

Voltando à Ring Road, mais uma vez em direção a Este, temos a 30 km da localização anterior um dos pontos mais conhecidos e fotografados da Islândia: a Skogafoss, visível da estrada principal. Aqui o estacionamento é gratuito e podemos dirigir-nos para a base da cascata, onde nos sentimos realmente pequenos dados os seus 60 metros de altura e 25 metros de largura. Se o sol aparecer entre as nuvens é visível um arco iris a atravessar toda a cascata, como tivemos a sorte de ver.

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Se as condições meteorológicas permitirem, podemos ainda subir uma escadaria que se encontra do lado direito da cascata (preparem-se são mesmo muitos degraus), para terem uma visão do cimo da cascata, onde o rio Skógaa chega vindo dos glaciares Eyjafjallajökull (famoso pela erupção vulcânica de 2010 que fechou muitos aeroportos europeus) e Mýrdalsjökull. Se quiserem, podem continuar pelos trilhos existentes ao longo do rio Skógaa, com várias cascatas mais pequenas e paisagens belíssimas.

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Trilhos ao longo do rio Skógaa

Destroços do avião da US Navy 

Voltando à estrada, mais à frente encontramos um parque de estacionamento com dezenas de carros estacionados num estacionamento marcado (gratuito), do lado do mar, num local sem placas ou sinalizações de maior, junto a uma praia de areia preta. Aqui, num trilho demarcado que dura mais de 45 minutos a pé para cada lado, encontramos os destroços de um avião da US Navy que nos anos 70 do século XX aqui caiu (felizmente, sem vítimas) (coordenadas GPS: 63º27,545’N; 19º21,890’W).

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Dado o volume de pessoas que o visita diariamente, é já um dos pontos de paragem numa visita pelo sul deste país, sendo que aconselhamos uma visita ao final do dia por duas razões principais: encontrámos muitos menos pessoas lá e apanhámos um pôr do sol fantástico.

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A cidade de Vík e Reynisfjara

Esta pequena localidade que dista 180km de Reykjavík, com apenas 300 habitantes, é um óptimo local para reabastecer o carro de combustível, actualizar compras no supermercado e aproveitar algum restaurante. Aqui temos também uma igreja característica, com uma vista superior sobre a localidade e o cabo Dyrhólaey, junto à famosa praia de areia preta – Reynisfjara.

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Perspectiva de Vík

Reynisfjara é mais um dos locais únicos que se podem encontrar pela Islândia. O contraste da cor negra da areia com o basalto das rochas e o azul do mar torna este mais um dos locais imperdíveis da Islândia. Percam-se à beira mar (cuidado com as correntes e a ondulação, que é perigosa!) e trepem as colunas de basalto dos penhascos que parecem ter sido cirurgicamente cortados. Existe estacionamento gratuito para os carros e claro, também muitos turistas.

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O desfiladeiro de Fjaðrárgljúfur

A aproximadamente 70km a Este de Vík pela N1, este desfiladeiro que se acredita remontar ao fim da idade do gelo (mais de 9000 anos), tem 100 metros de altura e mais de 2km de extensão. Não se consegue chegar com o carro mesmo ao local, tendo de se deixar sempre num pequeno estacionamento de terra batida que fica a aproximadamente 1,5km do local do desfiladeiro, distancia que tem de ser percorrida a pé. Ao lado deste desfiladeiro existe um trilho que nos leva (numa vista superior) ao longo dos 2km, algo que infelizmente não pudemos fazer dado que se encontrava fechado por causa da neve aí existente, tornando-o perigoso.

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O desfiladeiro de Fjaðrárgljúfur

Skaftafell

Este parque, integrado no Parque Nacional Vatnajökull, é um dos parques mais conhecidos do sul da Islândia, tendo na Svartifoss um dos seus pontos mais conhecidos. Esta, cujo nome traduzido significa “cascata negra”, deve o seu nome às colunas de basalto que a abraçam e a tornam tão especial.

Este Parque Nacional tem um parque de estacionamento, também pago e com controlo das matrículas, para podermos deixar os carros, tendo inclusive um parque de campismo nesta zona para quem dele queira usufruir. As opções de trilhos são mais que muitos, com várias extensões e graus de dificuldade, tendo nós optado pelo que nos levaria directamente à Svartifoss (aproximadamente 2km) e à zona circundante.

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Trilhos do Parque Natural, com o glaciar Vatnajökull no horizonte
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Svartifoss

Para saberem mais sobre este Parque Natural, consultem o nosso post sobre Skaftafell.

Jökulsárlon

Nesta incursão pelo Sul da Islândia, temos de seguir pelo menos até chegar a este ponto (convém dizer que entre Reykjavík e esta localização são 370km, aproximadamente). Jökulsárlon é conhecido pelo lago do glaciar e pela praia dos diamantes (“Diamond Beach“), fazendo mesmo jus a esta fama. O estacionamento é grande e gratuito, ficando mesmo junto a estes locais. Começando pelo lago, este tem como particularidade o facto de ser formado pela água do glaciar Vatnajökull, sendo visíveis icebergs que se desprenderam do glaciar, de diversos tamanhos, a deslocar-se em direção ao mar,  num cenário único e inesquecível.

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Existe também a praia (de areia preta) em que esta lagoa vai desaguar através de um pequeno canal. Alguns dos icebergs acabam por se encontrar aqui com o mar, sendo arrastados pela ondulação para o areal e formando aquilo que se conhece como a “Praia dos Diamantes” (“Diamond Beach“). E não é que parece mesmo? Uma paisagem surreal!

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Onde ficar: Ao longo desta incursão pelo sul da Islândia, pernoitámos no Hotel Geirland em Kirkjubæjarklaustur. É um hotel familiar, com vários grupos/excursões alojadas (a localização é convidativa, para quem percorrer esta zona), sendo os preços algo exagerados na nossa opinião, acabando por reflectir a pouca oferta e a grande procura de alojamentos nesta zona. Com pequeno almoço incluído, o quarto de casal fica a rondar os 100€, claro que dependendo da época do ano.

Onde comer: Não foram muitas as vezes em que conseguimos comer em restaurantes na Islândia, por uma questão de orçamento fomos sempre optando por fazer as nossas próprias refeições. Ainda assim, fomos a uma restaurante (pelos vistos muito conhecido localmente), Sudur Vík, onde pudemos provar uma fantástica sopa de peixe (das melhores que já comemos até hoje). Se lá voltarmos a passar, é paragem obrigatória!

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Dicas extras:

  • A aplicação Maps.me foi mais uma vez uma óptima ajuda ao longo deste trajecto, orientado-nos e dando-nos dicas extra para pontos que de outra forma poderiam passar despercebidos. Pode usar-se offline (se tiverem realizado previamente o download do mapa do país em causa) e é algo que nos acompanha constantemente.
  • A Este de Skaftafell, encontramos a pequena localidade de Hofskirkja (coordenadas 63°54’24.2″N 16°42’27.1″W) que poderia passar despercebida, não fosse a sua igreja muito característica revestida de musgo (das últimas 6 que ainda restam na Islândia), cuja construção se acredita ter sido feita entre 1883 e 1885. É uma paragem rápida mas que vale a pena pela envolvência. Por uma questão de manutenção, encontram-se habitualmente fechadas (como foi o caso), podendo ainda assim o seu interior ser visto pelas janelas da frente do edifício.

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