Roteiro de 2 dias em Copenhaga

Conhecida como a “cidade mais feliz do Mundo”, Copenhaga é um excelente exemplo do modernismo e carisma de uma cidade nórdica. É aqui que, ainda hoje, habita parcialmente a família real dinamarquesa e foi também aqui que Hans Christian Andersen viveu uma boa parte da sua vida e, quem sabe, se inspirou para algumas das suas grandes obras. O corropio de bicicletas, numa organização extrema e nas faixas que lhe são reservadas, e o ambiente jovial e descontraído que se vive transmitem uma sensação de bem estar a quem por ali passa, tanto que até existe uma expressão dinamarquesa que exprime esse sentimento específico: “Hygge”. Embarquem connosco nesta aventura pela capital dinamarquesa (que foi realizada por nós em Fevereiro de 2019), com algumas dicas e sugestões de roteiro, para tornar esta viagem ainda mais especial.

Breves considerações antes de partir:
Antes de partir nesta viagem, temos algumas indicações que consideramos importantes de ter em conta. São eles:

– Documentação: Sendo um país da União Europeia, os cidadãos europeus necessitam apenas do cartão de cidadão nacional actualizado, para poder entrar na Dinamarca. Quando não aplicável, o passaporte é indispensável (atenção que não convém estarem a menos de 6 meses da data de validade dos mesmos). O Cartão de Saúde Europeu também nos deve acompanhar nesta viagem, ainda mais se considerarmos que é gratuito e se pode pedir online com entrega em casa.

– Moeda: Apesar da Dinamarca pertencer à União Europeia, a moeda é a Coroa Dinamarquesa (DKK) que vale aproximadamente 0,13€. Apesar de estar integrada na União Europeia, constitui uma das excepções onde são cobradas taxas interbancárias para pagamentos com cartão de débito. Confirmem sempre esta informação previamente para não serem surpreendidos com taxas cobradas pelos bancos, algumas delas por vezes elevadíssimas.

-Sugestões de alojamento: A sugestão que fazemos relativamente aos alojamentos refere-se à experiência que tivemos, sendo que tentamos dar um feedback fidedigno que ilustre efetivamente com o que sentimos. Optámos por escolher um hotel com pequeno almoço incluído, comparando se efetivamente tem um impacto positivo no nosso orçamento. As reservas que fizemos foram através do Booking, sem qualquer problema. Estes pormenores encontram-se no final deste post.

-Segurança: Nunca nos sentimos inseguros em nenhum momento. Tivemos apenas os habituais cuidados de segurança, que temos em qualquer local a que vamos, mas achámos tudo muito pacato por todos os locais onde fomos passando.

-Outras informações: Aconselhamos sempre a que obtenham estas ou outras informações em relação a cada país que pretendem visitar na área de “Conselhos aos viajantes” no Portal das Comunidades Portuguesas.

Dia 1 – Da natureza do Ørstedsparken ao maior edifício da cidade, Rådhus

Mais uma vez, e como vem sendo o nosso hábito, partimos a pé do hotel onde estávamos alojados para explorarmos logo bem cedo o que Copenhaga tinha para nos proporcionar. Considerando a proximidade inicial, decidimos começar por explorar o Ørstedsparken, um parque no coração da cidade. Tal como os restantes parques da cidade, encontra-se alinhado na área das antigas fortificações que que circundavam e protegiam os habitantes, sendo o lago ali existente ainda uma reminiscência do fosso dessas mesmas fortificações. Mesmo não tendo encontrado praticamente vestígios locais desta parte mais histórica, efectivamente, vale a pena atravessarmos o parque e a sua ponte sobre o lago, parando para admirar aquele oásis natural no meio da civilização, todo ele ainda em tons de inverno.

Daqui partimos em direção ao Jardim Botânico, ali bem perto. Com uma dimensão de 10 hectares, os jardins são públicos e maravilhosos, estando acessíveis a todos. É inevitável pensarmos que se assim, ainda no Inverno, este Jardim é deslumbrante… Como será durante a Primavera?! Ali estabelecido desde 1870, tem também no seu centro um lago, complementando ainda mais este autêntico santuário da vida animal, onde dizem existir mais de 13 000 espécies.

Ao fundo destaca-se um grande edifício por entre as estufas, conhecido como a Palm House. Optámos por não entrar no edifício, mas aqui podem visitar várias espécies botânicas, tendo um complemento fantástico mas apenas durante o Verão, com a chamada Butterfly House, onde se pode ver de perto a vida com todas as metamorfoses das borboletas, no seu estado natural. Apesar da entrada no Jardim ser gratuita, a Palm House é paga (com direito a entrada na Butterfly House durante o Verão), custando 60 DKK (± 8 €) para adultos e 40 DKK (± 5,34€) para estudantes, crianças e jovens (3-16 anos).  

Palm House

A paragem seguinte foi o Castelo Rosenborg e os seus jardins circundantes. Neste castelo, que tem um charme muito próprio e que conta já com mais de 400 anos, encontram-se as jóias da coroa dinamarquesa.

Apesar de todo o encanto do castelo, os jardins envolventes é que nos prenderam a atenção, com toda a sua disposição e geometria, com um cuidado pela natureza que devia ser um exemplo e global. O preço da entrada para adultos é de 115 DKK (±15€), sendo gratuito dos 0-17 anos, mas podem sempre, como nós, deambular apenas pelos jardins que é totalmente gratuito.

Com todo este roteiro matinal, a hora de almoço já se aproximava e decidimos ir até ao Torvehallerne. Este mercado fechado e com um ambiente imperdível, tem dezenas de stands onde o problema é mesmo escolher o que queremos comer. A oferta é variada, indo desde a fast food a opções mais saudáveis, com preços bem mais apetecíveis do que encontramos nos restaurantes da cidade. Recomendamos a passagem, se estiverem por perto, podendo ser tanto ao almoço como ao jantar, dependendo da altura do ano.

Já mais recompostos e com as pernas restabelecidas para a caminhada da tarde, dirigimo-nos para a tão esperada zona de Nyhavn. Originariamente uma zona portuária, dada a sua localização, era um dos principais locais de comércio da cidade e onde vários barcos, nacionais ou estrangeiros, atracavam. Foi também aqui que Hans Christian Andersen viveu parte da sua vida e se inspirou para algumas das suas maiores obras. E não é de admirar! Ainda hoje, é um local acolhedor, tanto pelas cores dos seus edifícios como pelo ambiente que aí se vive, sendo o cartão postal de qualquer fotografia de Copenhaga. E faz sem dúvida jus a esta fama! Actualmente encontram-se aqui vários bares e restaurantes (não muito baratos, não fosse esta uma zona extremamente turística), que convidam a uma pausa para apreciar a agitação e o movimento envolvente.

Já ao regressarmos ao hotel, passamos pela famosa rua StrØget, uma das maiores ruas pedonais da Europa, repleta de lojas de várias marcas, bares e restaurante. Dado estarmos, por esta altura, na época do novo ano chinês, as decorações davam-lhe ainda mais encanto.

Rua StrØget

O que mais nos interessava era, através desta rua, passar pela emblemática praça Gammeltorf e culminar na Rådhuspladsen (a 2ª maior praça do país) de onde se destaca o edifício conhecido como Rådhus (câmara municipal da cidade) que com a sua torre de 105 metros o torna o maior edifício de Copenhaga.

Praça Gammeltorf
Rådhus

Dia 2 – Do Palácio de Christiansborg ao histórico Kastellet

Em mais um dia de exploração a pé pela cidade, partimos desta vez em direção ao Palácio de Christiansborg. Este imponente edifício alberga o Parlamento Dinamarquês, o Supremo Tribunal e o Ministério do Estado. Os seus interiores dizem ser ricamente ornamentos com diversos elementos monárquicos, sendo em alguns dos seus espaços que a Família Real faz algumas das suas recepções oficiais e onde, da sua varanda, os monarcas dinamarqueses são proclamados. Achámos o preço algo exagerado, com um bilhete combinado para os vários espaços a custar 160 DKK (± 21€), tendo nós optado apenas por ver o edifício por fora, que até na sua envolvência é bonito, encontrando-se localizado na pequena ilha de Slotsholmen.

Palácio de Christiansborg

Daqui a paragem seguinte foi na Frederick kirke ou Marmorkirken (Igreja de mármore). Esta igreja dista pouco mais de 1km a pé do Palácio de Christiansborg e destaca-se, como o nome indica, por ser uma imponente construção em mármore que já data do século XVIII, com uma cúpula grandiosa em tons verdes, que se observa de vários pontos da cidade. A entrada no seu interior é gratuita, e recomendamos que entrem e admirem os detalhes ali existentes, num ambiente de silencio e de acolhimento, longe da azáfama da cidade. Durante o Verão, é possível subir à cúpula em horários pré-estabelecidos, para uma vista ampla sobre toda a cidade, com um custo de aproximadamente 35 DKK (± 4,60€) por adulto.

Já ali ao lado encontramos o Palácio Amelienborg, onde entre outros, serve de residência da família real dinamarquesa. A sua praça principal tem no seu centro a estátua do Rei Frederick V, sendo rodeada de 4 edifícios quase semelhantes que constituem o castelo. Além da residência da família real ou dos seus convidados, num dos edifícios existe um museu com a história da família real (uma das antigas do mundo), com os bilhetes a custarem 105 DKK (± 14€) por adulto. Mais do que visitar o museu, que não chegámos a fazer, vale também passar por aqui para ver o render da guarda real, conhecida como Den Kongelige Livgarde. Diariamente os guardas partem do Palácio de Rosenborg e marcham pelas ruas da cidade até este local, onde precisamente às 12:00 acontece o render. Um momento imperdível e que atrai muitos turistas, pelo que recomendamos que cheguem cedo. 

Ali perto encontramos uma das mais conhecidas atrações da cidade, a estátua de bronze da Pequena Sereia, no pontão Langelinje. Tendo completado 100 anos em 2013, foi ali mandada colocar por um importante produtor de cerveja daquela época, inspirado pela personagem e pela atriz que desempenhou o papel principal desta conhecida obra em 1909, numa peça de bailado no Royal Theatre da cidade. O seu pequeno tamanho não reflete o carinho que todos lhe têm, sendo local de “romaria” para os turistas.  Se preferirem visitá-la menos povoada, têm de ir bem cedo.

Daqui seguimos para a Cidadela, conhecida como Kastellet, um local que nos encantou na capital dinamarquesa e que é diferente de tudo o que tínhamos visto até então nesta cidade. Este sítio, que já data de 1626, é constituído por uma muralha em forma de estrela, com a particularidade de ser rodeado de água. No seu interior, e após atravessarmos os seus portões, encontramos edifícios militares ainda em funcionamento, tudo num ambiente rústico, mas o que realmente mais nos encantou foram os espaços verdes e o enorme moinho que ali existe, relembrando os tipicamente encontrados noutros países nórdicos.

Vale a pena parar aqui, num local distante das multidões e apreciar a calmaria e a vista maravilha, que também se consegue sobre alguns pontos da cidade. Melhor, a entrada é gratuita e disponível desde que os portões da Cidadela estejam abertos. Um ponto que recomendamos, sem dúvida!

Se ainda tiver tempo ou mais um dia:

O Parque de Diversões Tivoli, que data já de 1843, encontra-se no centro da cidade e que tem um ambiente muito próprio e com decorações soberbas e diferentes de tudo o que já se tem visto (mesmo do exterior). A oferta de atrações é variada, sendo que chegam a dizer que existe aqui sempre um espaço para os gostos de qualquer pessoa.  Dizem ainda que Hans Christian Andersen aqui vinha várias vezes, assim como o próprio Walt Disney, tendo aqui ganho inspiração para alguns dos seus mundos da Disney. O nosso único entrave para a visita aqui (além da falta de tempo) são os preços praticados, que variam entre os 120 e os 290 DKK (± entre 16 e os 39€), dependendo das atrações que se pretendam.  

Outra zona que dizem valer a pena visitar é a Christiania.  Esta antiga área militar foi tomada e aqui criada uma área orgulhosamente alternativa, e nem sempre consensual, que se identifica como uma cidade independente e com regras próprias, entre elas a de não tirar fotografias. Acabámos por não ter tempo de visitar esta zona, mas dizem ser já um dos principais pontos de interesse para quem visita a capital dinamarquesa.

No centro de Copenhaga encontramos ainda a Rundetårn (ou Torre Redonda), construída no século XVII. Este edifício, com 36 metros, é o mais antigo observatório em funções na Europa e pode ser visitado num corredor em espiral até ao seu topo. Não tivemos tempo de visitar, mas os bilhetes rondam os 25 DKK (± 3,30€) por adulto.

Como chegar: No nosso caso concreto, utilizámos o comboio para ir do aeroporto de Copenhaga (Lufthavn) para a Estação Central da cidade. ATENÇÃO QUE A ESTAÇÃO CENTRAL DE COPENHAGA APARECE SEMPRE IDENTIFICADA COMO København H! A estação do aeroporto encontra-se no Terminal 3, havendo ligações gratuitas por shuttles entre os terminais de 5 em 5 minutos. Durante o dia, os comboios com destino à Estação Central passam de 10 em 10 minutos, tendo cada viagem a duração de aproximadamente 13 minutos. O bilhete, por pessoa e por viagem, ronda os 35 DKK (± 4,70€), podendo ser comprado nas máquinas automáticas.
Podem também utilizar os autocarros, que partem igualmente do Terminal 3, em direção ao centro da cidade. O autocarro a utilizar é o 5A, demorando aproximadamente 35 minutos até ao centro da cidade, sendo que podem comprar os bilhetes nas máquinas automáticas ou a bordo (apenas com moedas), com preços que vão até aos 4€.
No nosso caso, após este roteiro por Copenhaga, seguimos ainda para uma estadia de 3 dias em Estocolmo (Suécia). A viagem foi directa, partindo da Estação Central de Copenhaga e chegando à Estação de Estocolmo (com várias paragens noutras localidades ao longo do caminho). Caso optem por realizar também este percurso e usar este meio de transporte, recomendamos que planeiem antecipadamente e comprem o bilhete online o quanto antes, dado que os preços variam muito e tornam-se mais caros quanto mais próximo da data de partida forem adquiridos. Comprámos com 3 meses de antecedência, com o valor a rondas os 30€/pessoa. Só para vos dar uma perspectiva, se tivessem sido comprados no próprio dia já custavam mais de 150€/pessoa. Para mais informaões, consultem o site da SJ.

Onde ficar: Grand Hotel. Este hotel está extremamente bem localizado, mesmo ao lado da Estação Central de Copenhaga (København H). Tem as comodidades essenciais um pequeno almoço incluído fantástico e muito variado. Preço por noite a rondar os 70€, sendo uma óptima relação qualidade/preço.

Dicas Extra:
– Sendo uma cidade onde o transporte de bicicleta é dos mais privilegiados, havendo inclusive estudos que relatam que o número de bicicletas já ultrapassou o número de carros em circulação em Copenhaga, existem ciclovias que ligam toda a cidade bem junto aos passeios. Recomendamos o máximo de cuidado e atenção nestas zonas, para evitar acidentes entre peões e bicicletas, como chegámos a assistir;
– Para quem tiver interesse, existe o Copenhagen Card, um cartão que pode ser adquirido online e que pode ter a duração de 24h, 48h 72h ou 120h, com preços entre os 54€ e 133€/pessoa. Este cartão inclui o acesso a diversas atrações da cidade, assim como a transportes públicos. Para saberem mais sobre este cartão, visitem o site oficial.
– Existe uma loja da Lego fantástica na rua StrØget, ou não fosse esta marca oriunda da Dinamarca. Aqui, entre outras coisas, encontramos réplicas de zonas históricas de Copenhaga em Lego, que são uma verdadeira delícia para os amantes destas peças de construção.

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