Roteiro de 3 dias em Estocolmo

Estocolmo, a capital sueca, consegue misturar perfeitamente o que tem de mais moderno, com as suas raízes históricas. Conhecida por muitos como a “Veneza do Norte” por se encontrar rodeada de canais, é composta por 14 ilhas todas elas ligadas por pontes de diferentes tamanhos. As cores pastel dos edifícios deixaram-nos rendidos, numa cidade charmosa e organizada, no seu estilo típico de cidade do norte da Europa. Dedicámos três dias incompletos a esta cidade (que até merecia mais), numa experiência que relatamos já de seguida.

Breves considerações antes de partir:

Antes de partir nesta viagem, temos algumas indicações que consideramos importantes de ter em conta. São eles:

DocumentaçãoSendo um país da União Europeia, os cidadãos europeus necessitam apenas do cartão de cidadão nacional actualizado, para poder entrar na Suécia. Quando não aplicável, o passaporte é indispensável (atenção que não convém estarem a menos de 6 meses da data de validade dos mesmos). O Cartão de Saúde Europeu também nos deve acompanhar nesta viagem, ainda mais se considerarmos que é gratuito e se pode pedir online com entrega em casa.

FronteirasChegámos a Estocolmo de comboio internacional, vindos de Copenhaga. O bilhete, comprado previamente e online, dizia que deveríamos ter cartão de identificação válido para apresentar na fronteira, mas ninguém nos pediu documentação. Ainda assim, não facilitem e tenham sempre convosco a documentação necessária.

Moeda: Apesar da Suécia pertencer à União Europeia, a moeda é a Coroa Sueca (SEK) que vale aproximadamente 0,093€. Estando integrada na União Europeia, não devem existir taxas bancárias para pagamentos com cartão de débito. Mas confirmem sempre esta informação previamente para não serem surpreendidos com taxas cobradas pelos bancos, algumas delas por vezes elevadíssimas.

Sugestões de alojamentoA sugestão que fazemos relativamente aos alojamentos refere-se à experiência que tivemos, sendo que tentamos dar um feedback fidedigno que ilustre efetivamente com o que sentimos. Optámos por escolher um hotel com pequeno almoço incluído, comparando se efetivamente tem um impacto positivo no nosso orçamento. As reservas que fizemos foram através do Booking, sem qualquer problema. Estes pormenores encontram-se no final deste post.

Segurança: Nunca nos sentimos inseguros em nenhum momento. Óbvio que tivemos os cuidados normais de segurança, que temos em qualquer local a que vamos, mas achámos tudo muito pacato por todos os locais onde fomos passando.

Outras informações: Aconselhamos sempre a que obtenham estas ou outras informações em relação a cada país que pretendem visitar na área de “Conselhos aos viajantes” no Portal das Comunidades Portuguesas.

Dia 1

Havíamos chegado de véspera vindos de Copenhaga, já a noite ia lançada, numa viagem num comboio internacional da SJ Train. Guardámos todo o entusiasmo para o primeiro dia em Estocolmo que começou bem cedo (para não variar), partindo a pé pelo nosso trajecto, como gostamos de fazer, por sentir que só assim conseguimos absorver o local onde estamos. Estamos em meados de fevereiro (de 2019) e os vestígios do inverno ainda se encontram um pouco por todo o lado, com alguma neve pelos passeios e os canais quase congelados na totalidade. Ainda assim, tivemos imensa sorte por ter apanhado dias soalheiros, ressalvando ainda mais as cores e encanto da cidade.

A primeira paragem era a Biblioteca Municipal de Estocolmo (Stadsbibliotek). Dizendo isto assim, até parece estranho estarmos a incluir uma biblioteca no roteiro, mas efetivamente ouvimos falar imenso na sua arquitectura que a torna uma das mais famosas do mundo,  tínhamos mesmo de lá passar. A escadaria da entrada leva-nos a um uma sala ampla, redonda, onde dizem existir mais de 700 000 livros e onde vagueámos por momentos, percorrendo as lombadas e as escadarias envolventes, tentando encontrar a melhor maneira de tentar incluir toda aquela imensidão na capacidade do olho humano.

Biblioteca Municipal de Estocolmo

Seguimos para a zona mais antiga da cidade, também conhecida como Gamla Stan, sendo altíssima a expectativa para esta zona da cidade. Pelo caminho passamos pelo Kungstradgarden (Jardim do Rei), uma praça bem no centro de Estocolmo onde nos disseram que, no começo da Primavera, as cerejeiras em flor dão uma cor e encanto únicos. Estamos ainda a umas semanas da Primavera, pelo que percebemos que esta praça funciona como um ponto de encontro para os locais, com animação e espectáculos num ambiente vibrante e acolhedor. É também aqui que se encontra uma das estações de metro mais espantosas de Estocolmo, que partilhamos no nosso post sobre O Metro de Estocolmo.

Logo de seguida, a tão esperada Gamla Stan. Antes de entrarmos propriamente na ilhota onde este se integra, passamos uma ilha com o imponente edifício do Parlamento Sueco, numa arquitectura espantosa.

Entrada do Parlamento Sueco e acesso à Gamla Stan

A zona de Gamla Stan tem vários pontos imperdíveis, mas o que recomendamos é mesmo largarem o mapa e vaguearem pelas várias ruelas, absorvendo as cores e deixando-nos levar pelo (muito) movimento pedestre que aqui existe (os carros não podem vir para o centro desta zona).  

Ruelas da Gamla Stan

Aqui encontra-se o Palácio de Estocolmo, o Museu do Nobel, diversas catedrais e a famosa Stortorget, a praça central deste centro histórico da capital sueca. Tivemos imenso azar neste último, pois acabámos por apanhar os edifícios mais icónicos em obras, não conseguindo ter uma real perspectiva da praça.

Num dos extremos da ilha que onde se integra a Gamla Stan encontramos os chamados Palácios Stenbock, na zona de Riddarholmen, um conjunto de palácios da nobreza sueca que já datam do século XVII e se encontram muito bem preservados. Vale a pena um pequeno desvio até aqui para ver estes edifícios bem como para apreciar a vista que se consegue ter a partir daqui, para o Lago Mälaren e outros pontos de Estocolmo, como a Câmara Municipal da cidade que se destaca ali perto, com os seus tijolos vermelhos e torre proeminente.

Pretendíamos conseguir passar ainda na área de Sodermalm, uma área habitacional, também ela uma ilha, a sul da Gamla Stan e onde se encontram dispersas várias casas de campo numa arquitectura típica, que conseguiram ali resistir permanecer e manter a sua essência, alheias à evolução circundante. Sendo um ponto mais elevado, conseguimos também daqui ter perspectivas únicas sobre o centro de Estocolmo.

Sodermalm

É também na área de Sodermalm que se encontra um dos museus mais conhecidos desta cidade, o Fotografiska (Museu da Fotografia). Acabámos por não visitar conseguir visitar, mas sendo um museu com horários que vão das 9 da manhã até às 1 da madrugada, permite conhecer a cidade durante o dia e dedicar a noite para o visitar.

No regresso ao hotel, fomos brindados com um pôr do sol fantástico, que proporcionou cores inesquecíveis numa envolvência que não dá para explicar por palavras.

Dia 2

O segundo dia foi dedicado ao Parque Nacional Tyresta, que se encontra integrado numa reserva natural ainda pertencente a Estocolmo, distando apenas 20 km do centro da capital sueca. Num total de mais de 19,7 km², este parque é imperdível para os amantes de natureza, apresentando mais de 55 km de trilhos com dificuldade variável que nos levam a percorrer um ambiente simplesmente único.

Seguimos para lá unicamente de transportes públicos, tendo-nos decidido a dedicar o dia à natureza, numa experiência única e com peripécias inesquecíveis. Na verdade, este talvez tenha sido para nós um dos pontos altos da nossa viagem. Para terem uma noção, acabámos o dia no Parque, num grelhador comunitário, a preparar cachorros quentes comprados no local, juntamente com diversas famílias suecas que também haviam dedicado o dia a este Parque. Contamos detalhadamente toda esta nossa aventura de um dia no nosso post sobre o Parque Nacional Tyresta.

Dia 3

Dado partirmos a meio da tarde de regresso a Lisboa, este 3º e último dia tinha de ser rentabilizado. Algo que queríamos ver era o metro de Estocolmo (também conhecido como Tunnelbana) que é, sem dúvida, algo a visitar numa visita à capital sueca. Não sabem do que estamos a falar? Acham estranho sugerimos uma visita a estações de metro? Sim, é algo sem dúvida imperdível! Um projecto que se iniciou em 1950, ano da sua inauguração, reuniu mais de 150 artistas transformaram e deram um toque artístico em várias estações, transformando-as em verdadeiras galerias de arte. Aproveitando ser Domingo e, com isso, termos menos movimento nas estações, arrancámos bem cedo com uma lista prévia daquelas que, pelas imagens e relatos que fomos vendo online, nos pareciam as estações mais apelativas e imperdíveis para delinearmos um plano para circularmos entre linhas e estações da melhor forma. As imagens falam por si…

Para saberem mais sobre esta nossa experiência, visitem o nosso post sobre o Metro de Estocolmo.

Depois de corrermos as estações de metro que queríamos, seguimos para a zona de Kungsholmen. Percorremos a cénica avenida Norr Malarstrand, que nos oferece um panorama único sobre o lago Mälaren e os respectivos reflexos das ilhas em redor. O lago, ainda congelado, torna tudo ainda mais mágico, enquanto vamos percorrendo a avenida repleta de árvores e vistas cénicas.

Norr Malarstrand
Lago Mälaren

Ao fundo encontramos a Câmara Municipal de Estocolmo, um edifício imponente, com um jardim envolvente, amplamente reconhecido por ser aqui o local onde se realiza anualmente o jantar do Prémio Nobel. Não chegámos a visitar o interior, mas existem visitas guiadas com guias locais, podendo apenas os bilhetes ser comprados na hora e variam de 80 SEK/pessoa (7,5€) de novembro a março e de 110 SEK/pessoa (10,30€) de abril a outubro. As filas são, por norma, grandes para a entrada, pelo que se pensarem dedicar tempo para conhecer o interior do edifício, recomendamos que o façam bem cedo.

Como chegar: Como dissemos, chegámos a Estocolmo de comboio a partir de Copenhaga, numa viagem de aproximadamente 5 horas. A viagem foi directa, partindo da Estação Central de Copenhaga e chegando à Estação Central da Estocolmo (com várias paragens noutras localidades ao longo do caminho). Caso optem por realizar também este percurso e usar este meio de transporte, recomendamos que o planeiem antecipadamente e comprem o bilhete online o quanto antes, dado que os preços variam muito e tornam-se mais caros quanto mais próximo da data de partida forem adquiridos. Comprámos com 3 meses de antecedência, com o valor a rondar os 30€/pessoa. Só para vos dar uma perspectiva, se tivessem sido comprados no próprio dia já custavam mais de 150€/pessoa. Para mais informações, consultem o site da SJ.
A partir de ou em direção ao aeroporto de Estocolmo (Arlanda) as opções são várias e com preços muito variados. A nossa referência é sempre a Estação Central de Estocolmo (Stockholm City Station), sendo que no nosso caso optámos por seguir em direção ao aeroporto de comboio. Os bilhetes podem comprar-se directamente nas máquinas de venda automática, sendo cobrada uma taxa especial para entrada na área do aeroporto (incluída no bilhete). As viagens duram aproximadamente 30 minutos e o preço por pessoa é de 152 SEK (15€). Para mais informações, consultem o site da SL. Existe uma outra opção mais rápida mas mais cara, que é o Arlanda Express, com viagens de 20 minutos e com preços a rondar os 295 SEK (28€) por pessoa/viagem. Além destes, existem várias ligações de autocarro, com empresas como a Nettbus e a Flixbus, com preços mais convidativos mas com viagens mais demoradas.

Onde ficar: Hotel Scandic No 53. A escolha deste hotel prendeu-se essencialmente pela localização (poucas dezenas de metros da Estação Central de Estocolmo) e pela relação qualidade/preço. Conseguimos preços a rondar os 50€/noite, com pequeno almoço continental e fantástico incluído. O quarto tinha casa de banho privativa e excelentes comodidades, sendo que conseguimos preços mais acessíveis por terem as opções de quartos sem janela, que ajudam a minimizar os custos. Se formos a ver, dado que pouco tempo lá íamos passar, o quarto ter janela ou não foi pouco relevante. Recomendamos!

Onde comer: A variedade é mais que muita, mas acabámos sempre por procurar os restaurantes mais em conta. Existem vários com comida mais típica do norte da europa (mais caros), mas a oferta de restaurantes étnicos era tanta que acabámos sempre por optar por esses. O que mais gostámos foi o Kacha Thai Dinning, com uma cozinha tailandesa fantástica que nos proporcionou um Pad Thai como há muito tempo não comíamos.  

Dica Extra:

– A oferta de museus em Estocolmo é variada e poderia ter tido mais adesão da nossa parte, não fosse o tempo mais limitado que nos obrigou a ter de fazer escolhas. Tínhamos pensado dedicar mais tempo a museus caso as condições climatéricas impossibilitassem outros planos, o que (felizmente) não aconteceu e acabámos por ser brindados por dias soalheiros e temperaturas amenas. Além do Museu de Fotografia que referimos acima, outro museu imperdível na capital sueca é o Museu Vasa. A maior atração deste museu é um navio de guerra do século XVII, que dá nome ao museu, que ali está conservado e recuperado quase na totalidade após um naufrágio, fazendo dele uma das maiores atracções turísticas do mundo. Para saberem mais, visitem directamente o site do museu.

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