Osaka

Na província de Kansai, bem no centro do Japão, Osaka é a segunda maior área metropolitana deste país. Pode não ser das cidades mais bonitas por onde passámos, mas a sua agitação aliada a toda a experiência sensorial que nos permite pelos sons, sabores, cheiros e luzes abundantes, fez-nos guardar óptimas memórias que não mais serão esquecidas. E sim, acima de tudo, Osaka é ideal para quem gosta de comer e quer experimentar as riquezas da gastronomia nipónica, ou não fosse associada localmente ao lema “kuidaore“, que não significa mais do que “comer até cair para o lado”.

COMO CHEGAR AO CENTRO DA CIDADE A PARTIR DOS AEROPORTOS:
Existem dois aeroportos em Osaka: o Aeroporto Internacional de Kansai (como o nome indica, para voos maioritariamente internacionais) e o Aeroporto de Osaka Itami (para voos domésticos). Acabámos por utilizar ambos, um à chegada e outro à partida.
Na ligação do Aeroporto Internacional de Kansai ao centro de Osaka (Umeda Station) usámos o Kansai Airport Rapid (da companhia JR), por considerarmos o que tinha a melhor relação qualidade/preço. Tenham em atenção que, por sua vez, se partirem da estação de Umeda em Osaka em direção ao aeroporto, devem ir numa das primeiras 4 carruagens, pois a meio da viagem o comboio divide-se e as restantes seguem noutro sentido. Os bilhetes rondam os 1190 JPY/pessoa (aproximadamente 9,90€) por viagem, podendo sair mais barato se comprarmos ida e volta.
Na ligação ao Aeroporto de Osaka Itami, aconselhamos a utilização do monorail + comboio. Partindo da estação existente no aeroporto, devem seguir por apenas uma estação até a estação Hotarugaike (viagem com duração aproximada de 2 minutos, com o valor a rondar os 200 JPY = aproximadamente 1,65€). Em seguida, devem transferir-se para o comboio da companhia Hankyu, seguindo pela linha Hankyu Takarazuka até à estação de Umeda (viagem com duração aproximada de 15 a 20 minutos, com preço a rondar os 220 JPY = aproximadamente 1,85€).

COMO DESLOCAR PELA CIDADE:
Também nesta cidade, o meio de transporte predilecto foi o metro. Uma vez mais, a opção foi comprar passes diários quando valesse a pena, pois havia dias em que compensava mais comprar viagens simples ou de ida e volta (por precisarmos menos de transportes). O metro de Osaka é bem mais pequeno do que o de Tóquio, estando também sempre com traduções em inglês, sendo que muitas vezes nem precisávamos de decorar os difíceis nomes das estações, já que todas elas se encontram numeradas dentro de cada linha, com os metros a seguirem depois o sentido ascendente ou descendente dos números de cada estação. Os passes de 24horas custam 800 JPY (aproximadamente 6,50€), dão também para os autocarros e permitem descontos em várias atrações. Já os bilhetes simples de metro de 1 zona rondam os 180 JPY (1,50€), podendo ser sempre adquiridos nas máquinas automáticas (que aqui têm normalmente opção de inglês), mas raramente aceitando cartões de crédito/débito.

Castelo de Osaka

Como chegar: Fica a pouco mais de 10 minutos a pé da estação de metro de Tanimachi4-chome (T23 ou C18) da Tanimachi Line ou Chuo Line.

Inicialmente edificado em 1583 (entretanto já destruído por diversas vezes, reconstruído e remodelado pela última vez em 1997), teve como objectivo principal a demonstração de poder pelos governadores locais na altura, “rezando” a lenda de que foram necessários 100 mil trabalhadores para o concluir. Ainda do seu exterior, vale a pena parar para observar o lago envolvente e os pequenos vislumbres que se conseguem para o interior das muralhas, que começam já a revelar um pouco do que se passa lá dentro. Aconselhamos a entrada nos pelo Portão Otemon, que fica na zona sudoeste dos Jardins do Palácio e é a mais próxima da estação de metro que falamos acima.

Após passarmos o Portão, encontramos o Jardim Nishinomaru, única zona do parque que é paga (200 JPY=1,70€), que tem um jardim imenso com 600 cerejeiras, uma casa de chá e perspectivas únicas sobre o Castelo. Pelas cerejeiras aqui existentes, vale ainda mais a pena a visita durante a Primavera, quando as flores dão ainda mais encanto a toda a envolvência.

Ao todo, o parque envolvente do Castelo de Osaka tem aproximadamente dois quilômetros quadrados, sendo repleto de espaços verdes, sendo um local muito procurado pelas famílias locais, havendo frequentemente aqui vários espetáculos musicais e até torneios de artes marciais ao vivo (essencialmente ao fim de semana).

No seu topo e na área central dos jardins, encontramos então o imponente Castelo de Osaka. Já vale a visita apenas para admirar a sua imponência exterior, onde recomendamos que encontrem o melhor ponto e se sentem simplesmente a admirar cada recorte. Se entenderem podem ainda visitar o seu interior, onde existem diversas coleções de arte e várias peças relacionadas com a história do Japão e deste local. Optámos por não visitar o interior, mas o bilhete custa 600 JPY=5€ por pessoa. Para mais informações, visitem o site oficial deste monumento.

Templo Namba Yasaka (Namba Yasaka-jinja)

Como chegar: Utilizando a Midosuji Line – M ou pela Yotsubashi Line – Y do metro de Osaka, a entrada do templo fica a aproximadamente 10 minutos a pé da Estação de Namba (M20 ou Y15).

Se tiverem pouco tempo ou se optarem por visitar apenas um dos templos de Osaka, este é sem dúvida o que devem escolher. Gratuito e longe da confusão e do movimento da área comercial da cidade, este templo distingue-se de todos os que vimos pela enorme construção do que dizem ser a cabeça de um leão, com 12 metros de altura por 11 metros de largura. Segundo as crenças locais, a boca aberta do leão engole as más energias e quaisquer espíritos malignos que nos atormentam, dando boa sorte na área do trabalho ou a nível escolar. Não facilitámos e passámos lá, até porque uma dose extra de sorte vem sempre a calhar!

O templo em si é pequeno, quase que se perdendo no meio das grandes construções envolventes. As construções aqui existentes não são já as originais, destruídas por bombardeamentos da cidade e em incêndios, sendo os edifícios como os vemos reconstruções do pós-guerra. As cerejeiras existentes no recinto do Templo tornam o espaço particularmente especial durante a Primavera, pelo que se estiverem lá nessa altura do ano, têm mais um motivo para fazer uma visita.

Templo Tsuyuten (O-Hatsu Ten-jin)

Como chegar: Utilizando a Tanimashi Line – T, devem sair na Estação Higashi-Umeda (T20), ficando a entrada do Templo a 5 minutos a pé. Pode também ser acedido utilizando a Midosuji Line – M, saindo na estação de Umeda (M16), estando praticamente à mesma distância do Templo do que a anterior.

Fundado há já 1300 anos, a sua também pequena dimensão quase que o deixa perder-se no meio das grandes construções envolventes da área de Umeda. Também ele gratuito, apesar de não o acharmos tão bonito como o Templo que referimos anteriormente, cativou-nos pela sua “história” e misticismo. O templo original foi destruído durante a II Guerra Mundial, tendo este que aqui encontramos sido reconstruído em 1957.

Dizem que neste ocorreu um duplo suicídio relacionado com uma trágica história de amor que foi mais tarde imortalizado numa peça de teatro de fantoches muito conhecida localmente chamada “Sonezaki Shinju“. Segundo a mesma, uma dama de corte chamada O-hatsu e um aprendiz de mercador chamado Tukubei apaixonaram-se num amor proibido mas puro, tendo ambos optado por morrer neste local, acreditando que poderiam ficar juntos na eternidade, ao invés de viverem toda uma vida separados. Contado assim até parece algo mórbido e que não motiva a visita, mas é actualmente um local de paz no meio da confusão da cidade e onde, segundo as crenças locais, os casais se devem dirigir para orar e serem abençoados com sorte no amor. Mais uma vez decidimos não desafiar as superstições, e realizámos os rituais adequados, seguindo os vários passos como referimos no nosso artigo dos Rituais dos templos e santuários japoneses.

Área de Umeda e Umeda Sky Building

Como chegar: Utilizando a Midosuji Line – M, saindo na estação de Umeda (M16).

A área de Umeda é o centro económico, comercial e do entretenimento de Osaka. Ao sairmos da estação, deparamo-nos com a dimensão e modernismo dos edifícios ali existentes, com uma infinidade de lojas, centros comerciais e restaurantes à disposição. Entre os arranha céus ali existentes, destaca-se o conhecido Umeda Sky Building, a 700 metros da estação de Umeda. Este edifício de 173 metros de altura, é constituído por duas torres que se conectam entre si por um observatório no 39º andar. Escusado será dizer que este oferece excelentes vistas sobre a cidade! Não fomos ao topo pois achámos o preço exagerado (1500 JPY= 12,50€ por pessoa), mas nem que seja pela envolvência exterior, vale a pena deambular por esta zona nobre de Osaka.

Dotonbori (roteiro de luzes)

Como chegar: Se quiserem ir directamente para o centro, devem seguir a Midosuji Line – M, a Yotsubashi Line – Y ou a Sennichimae Line – S do metro de Osaka, devem sair na estação de Namba (M20, Y15 ou S16) e procurar a saída 17 do metro. Se pretenderem fazer o roteiro que descrevemos abaixo, devem sair na estação Shinsaibashi (M19) da Midosuji Line.

Esta área é das mais conhecidas e imperdíveis de Osaka. Situa-se no centro de Minami (a sul de Osaka) e deve o seu nome ao canal ali existente, com mais de 400 anos – Dotombori-gawa. Agora envolto por vias e pontes pedonais, assumindo uma atmosfera inexplicável quando anoitece, altura em que se ilumina com milhares de letreiros, fundindo-se com musicas e apelos publicitários, transportando-nos quase para uma outra dimensão. Aqui encontramos diversas lojas com todo o tipo de produtos (desde electrónica, joalharia, vestuário…) e várias opções de restaurantes e comida de rua, mas efetivamente é junto ao canal que vale a pena “perder” um bom bocado… Aconselhamos de seguida o roteiro, de aproximadamente 2 km, que seguimos e que nos permitiu ter uma perspectiva global e inesquecível desta zona:

Sugestão de trajecto para a zona de Dotombori (criado a partir de mapa do Google Maps)

Partindo da estação Shinsaibashi (M19), seguimos em direção ao Shinsaibashi-shuji Arcade, uma rua com mercado coberto, com uma longa extensão, onde é indispensável passar para nos começarmos a envolver neste ambiente frenético.

No final desta, encontramos a Ponte Ebisu-bashi, o ponto mais famoso e recomendado para ver e fotografar a Dotombori. Aqui, entre todos os letreiros e reclames luminosos, destaca-se um dos mais famosos: o Glico running man, uma publicidade da conhecida doceria japonesa Glico. Esta enorme tela luminosa de 20 metros de altura e 10 de largura exibe um homem a correr numa pista azul, com os levantados em vitória, definindo-se actualmente como um ponto de referência de Osaka.

Entrando de seguida na rua Dotombori, o espectáculo de sons e luzes mantém-se, quase como que um concurso entre lojas para saber quem consegue o placard e publicidade mais apelativa e extravagante. E acreditem que não estamos a exagerar quando o dizemos, chegando ao ponto de encontrar caranguejos e polvos mecânicos gigantes por cima dos restaurantes, indicando as especialidades da casa. Também aqui encontramos vários pontos de comida de rua, destacando-se uma das especialidades de Osaka: o Tako-yaki, que consistem em pequenos snacks de “bolo” de massa com polvo. Experimentámos, mas não adorámos, mas vale a experiência. Foi aqui, nesta rua, que percebemos e sentimos o lema da cidade – “kuidaore” (comer até cair para o lado).

Banca de rua com Tako-yaki

Um pouco mais à frente, devemos cortar à direita numa “vaca gigante” também de um restaurante, em direção à Sennichi-mae Arcade, voltando a cortar à direita quando virmos uma placa que indica Hozen-ji Yokocho, uma outra rua de restaurante típicos e bares.

Sennichi-mae Arcade

Esta zona permite deixar para trás toda a confusão e encontrar inclusivamente um templo, mais propriamente o Templo Hozen-ji. Este pequeno templo budista não tem nada de imperdível, a não ser a sensação de acolhimento que nos transmite no meio da confusão, como um oásis de tranquilidade em plena Dotombori.

Voltando novamente pela Sennichi-mae Arcade, atravessamos o canal e percorremos o Passeio Tombori em sentido inverso, à beira rio. Aqui não precisamos de descrição… Basta deixarem-se levar por todo o “bombardeamento” sensorial que este local nos transmite!

Chegados à Rua Mido-suji, a maior e mais imponente avenida de Osaka, regressamos à estação Shinsaibashi, concluindo o circuito por uma das zonas mais memoráveis de Osaka.

Onde comer: Daiki-suisan kaitenzushi. Este restaurante de sushi em plena Dotombori foi paixão à primeira vista, de tal maneira que fomos lá jantar em dois dias distintos. Os preços acessíveis para a qualidade (entre 12,5€ a 15€/pessoa), a localização e a experiência de Kaiten-sushi (sushi em tapete rolante) que é típica de Osaka, conquistatram-nos por completo.

Onde ficar: Ark Hostel. Este hostel, além de ficar bem situado no centro de Osaka, teve um pormenor que nos conquistou: um dos seus quartos (privado) é totalmente em estilo ryokan. Além das comodidades deste género de quarto, tinha ainda uma divisão com uma fonte artificial, que lhe deu um ar ainda mais mágico. O preço é também ele muito convidativo comparativamente com outros quartos deste género, tendo rondado os 45€/noite, com pequeno almoço incluído (simples). O único senão, foi ter casa de banho partilhada, mas que vale a pena pela experiência.

Dicas extra:
Kuidaore Taro: Não estranhem se virem em vários pontos um manequim com óculos (na nossa opinião, um pouco assustador) parecido com um palhaço, a tocar tambor, com roupas largas e faixas horizontais brancas e vermelhas. Simboliza a cultura “kuidaore” da cidade – que já referimos acima – podendo encontrar o mais famoso da cidade no hall do Nakaza Cuidaore Building, na rua Dotombori.

Utilização de dinheiro: uma coisa com que nos deparámos é que nem sempre é possível pagar com cartão de crédito/débito (até mesmo em máquinas automáticas), pelo que aconselhamos que levantem dinheiro logo que possível para não serem apanhados desprevenidos.

Maps.me: : Se já conhecerem esta app, utilizem-na ao máximo no Japão. Se não conhecerem, façam o download e comecem a usar. Esta tem a vantagem de podermos fazer o download prévio dos mapas das cidades/países para onde vamos, podendo servir como GPS offline durante as nossas viagens. No Japão assumiu, para nós, um papel ainda mais preponderante para nos deslocarmos pelos vários locais, dada a barreira linguística e os sinais com caracteres que nem sempre conseguíamos decifrar.

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