Norte de Malta e Gozo

Apesar de serem maioritariamente procurados durante o Verão, por causa das praias aí existentes, a nossa visita em Dezembro ao norte de Malta e a Gozo fez-nos encontrar outros pontos de interesse que vão muito além das atrações balneares.

Partimos para o norte de Malta a partir de Valletta de autocarro, aquele que foi o nosso meio de transporte preferido neste país. O primeiro destino era Melliha, uma das vilas mais antigas do país, conhecida pelas baías e praias circundantes. Como dissemos, tendo a viagem sido realizada fora da época balnear, pretendíamos apenas fazer aqui a “base” para partir à descoberta desta zona do país. Encontrámos uma vila repleta de cafés, restaurantes e hotéis, destacando-se na paisagem urbanizada uma imponente Igreja da Natividade da Virgem Maria, do qual os habitantes desta localidade muito se orgulham. Numa praça acolhedora e já adornada pelas luzes de Natal, esta igreja mantém os tons calcários que fomos encontrando em vários pontos de Malta e o seu interior (onde se encontravam crianças a realizar uma peça de Natal) mantém um equilíbrio perfeito entre a simplicidade e os adornos litúrgicos.

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Igreja da Natividade da Virgem Maria 

Apesar de estarmos no Inverno, pouco se notava e as temperaturas estavam até bastante amenas. Apesar de não estar propício para banhos, acabámos por visitar na mesma pela lindíssima Baía de Melliha. Além das suas águas cristalinas, destaca-se porque é a maior praia de areia do país, com 1km de extensão. No Verão, deve ser muito concorrida, mas enquanto a percorremos nesta época do ano conseguimos absorver calmamente a maresia numa caminhada pelo paredão da praia.

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Baía de Melliha

Outro elemento de destaque na paisagem e bem perto desta vila é a Red Tower (também conhecida como Saint Agatha’s Tower ou Torri I-Ahmar). Construída em meados do século XVII, foi construída com uma missão essencialmente de defesa da ilha, dada a sua posição elevada e destaca-sa (como o próprio nome indica) pelos tons vermelhos das suas muralhas. Não chegámos a visitar o seu interior, mas pelo que nos informaram a entrada é gratuita. Para lá chegar, têm de utilizar os autocarros que se deslocam para Ic-Cirkewwa e sair numa das paragens após a baía de Melliha. Depois segue-se uma caminhada de 15 minutos até chegar à Torre.

Aqui perto existe também um local que, para nós, é um local imperdível numa “incursão” pelo norte de Malta: o Popeye Village. Utilizada para as rodagens do filme do Popeye em 1980, foi depois com esforço dos locais mantida e é hoje uma atração turística na região. Além da envolvência das casas à beira mar e das suas cores animadas, a animação constante com figurantes das personagens do filme dão um encanto especial ao espaço. Na nossa opinião, o espaço já necessitava de alguma manutenção, mas ainda assim adorámos a experiência. A entrada custa 11€/pessoa na altura em que fomos (Inverno) aumentando para 15€ no Verão. Para mais informações visitem o site do Popeye Village

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Popeye Village

Visitámos também a Ilha de Gozo, uma ilha também dedicada ao turismo e que dista apenas 5 km da Ilha de Malta. Para lá chegarmos, temos de nos deslocar até ao cais existente em Ic-Cirkewwa, num extremo norte da ilha de Malta. Preparem-se para as filas, pelo que aconselhamos a que tentem ir o mais cedo possível para agilizar a travessia. Esta faz-se de ferry, numa viagem agradável e que dura apenas 20 minutos. Os horários são variados e o bilhete custa apenas 4,65€, pelo que não há mesmo desculpas para não nos deslocarmos até lá.

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Travessia de ferry até Gozo

A chegada a Gozo dá-se na localidade de Mgarr, sendo que nos arredores do terminal encontramos logo paragens de autocarros para vários destinos da ilha ou agências de alugueres de carros. Mais uma vez optámos por nos deslocar de autocarro pela ilha, tentando sempre gerir os horários da melhor forma dado que dedicávamos apenas um dia à ilha, planeando regressar ao final do dia a Melliha.

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Chegada a Mgarr

Seguimos no autocarro 301, que nos levava para a cidade de Victoria (ou Ir-Rabat, sendo sempre referida das duas formas), considerada a “capital” e a única da ilha. Chegados ao único terminal da cidade, encontramos um ambiente extremamente tradicional que fez por momentos lembrar Valletta, com a diferença de termos menos turistas e ser tudo muito mais típico. Por entre ruelas labirínticas fomos avançando em direção a um dos pontos que planeávamos visitar aqui: a Cidadela. Trata-se de uma muralha que se ergue imponente no cimo da cidade, tendo servido como defesa ao longo dos anos contra os vários ataques que foram sendo realizados contra os habitantes desta cidade/ilha. Aquando da nossa visita (em 2015) esta encontrava-se em obras estando estas já concluídas. Ainda assim, valeu a pena a subida pois a vista lá de cima era fantástica, podendo ver os vários cantos da ilha, destacando-se na paisagem a Igreja de S.João Baptista, a maior de Gozo.

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Vista da Cidadela para a Igreja de S. João Baptista
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Outra perspectiva do miradouro da Cidadela

Dentro da Cidadela encontramos ainda a Catedral de Victoria, uma das mais importantes da cidade que infelizmente não conseguimos visitar por se encontrar fechada. Na sua entrada, encontra-se a imagem de João Paulo II, recordando a sua visita a esta catedral em 1990.

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Catedral de Victoria

Outro ponto que visitámos foi a Basilica de S.Jorge , já fora da cidadela mas que se destaca na cidade por ser uma igreja totalmente coberta de mármore. Daqui vale a pena passar também pela famosa praça de S.Jorge, onde as esplanadas convidam a sentar e desfrutar de um café.

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Basílica de S. Jorge

Sendo a visita de um dia em transportes públicos algo curto para explorar os vários pontos de Gozo, tivemos de tomar opções no que visitar e sendo nós amantes de natureza, esta teria de recair na famosa Azure Window. Para isso, voltámos a dirigir-nos ao terminal de autocarros da cidade, seguindo no 311 em direção a Dwejra. Após pouco mais de 15 minutos, saímos na última paragem da rota que nos deixa à beira mar, junto a esta formação de calcário que foi “obra da natureza” ao longo dos anos, confundindo-se com uma janela de calcário de 28 metros de altura que se abre sobre o imenso azul do mar.

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Azure Window

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Actualização: A Azure Window colapsou após uma tempestade em Março de 2017, não sendo já possível admirar esta obra da natureza.

Após esta paragem e absorvermos mais um momento perfeito de comunhão com a natureza, decidimos que estava na hora de regressar a Malta, voltando a Victoria e a Mgarr para apanharmos o ferry de volta a Ic-Cirkewwa.

Deixamos Gozo para trás, numa rota de apenas um dia, que talvez tenha sido pouco para tantos recantos que esta pequena ilha tem para oferecer.

Como chegar: A partir de Valleta, o autocarro a apanhar é o 41, numa viagem de aproximadamente 1h30 que passa em Melliha e termina em Ic-Cirkewwa. Para mais informações consultem o site Malta Public Transport. Como fomos dizendo ao longo do texto, já em Gozo devem apanhar o autocarro 301 para se deslocarem entre Mgarr e Victoria. A partir desta cidade têm ligações a vários pontos da cidade.

Onde ficar: Hotel Solana – No centro de Melliha, este hotel foi uma excelente opção. Moderno, localizado perto das paragens de autocarros e de vários restaurantes, tem ainda um pequeno almoço vasto. Em época baixa foi um verdadeiro achado, tendo custado pouco mais de 30€/noite.

Mdina

Conhecida como a “Cidade Silenciosa” e antiga capital de Malta até ao longínquo ano de 1570, Mdina continua a ser uma cidade muralhada e a manter a sua personalidade ao longo de todos estes anos, com influências fenícias e árabes ainda bem vincadas.

Optámos por partir bem cedo de Valletta para Mdina, optando pelo transporte de autocarro. Após uma viagem de menos de 1 hora, vemos finalmente as muralhas da cidade, numa encosta, com toda a imponência que tínhamos idealizado.

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Muralhas de Mdina

Chegamos a uma praça fora dos limites da muralha, bastante movimentada e turística, funcionando com o terminal de autocarros daquela cidade. O acesso ao interior das muralhas faz-se a pé, sendo o acesso de automóveis apenas permitido a moradores.

À entrada das muralhas deparamo-nos com uma ponte e mais uma enorme porta, aberta e a convidar-nos para explorar o seu interior. Posteriormente soubemos que esta ficou famosa por surgir na famosa série “Game of Thrones”, como a entrada de King’s Landing.

Já no seu interior, encontramos uma cidade também ela em tons calcários como Valletta, que a torna peculiar. Logo depois do portão existe um dos edifícios mais bonitos da cidade, o Palazzo Vilhena, onde funciona hoje o Museu de História Natural de Malta. Não visitámos o museu propriamente, mas vale a pena admirar a sua arquitectura. Em frente a este edifício existe também um posto de turismo, onde existem folhetos com mapas gratuitos da cidade. Mas a cidade é tão pequena que optámos simplesmente por nos perder nas suas ruelas, sem qualquer mapa.

A caminhada pela cidade vale a pena porque toda ela parece um labirinto, numa mistura de luzes em cada ruela, que apesar de parecerem todas iguais, nos davam perspectivas completamente diferentes umas das outras. É por estas ruelas e pelo silêncio aqui sentido que percebemos o porquê de chamarem a esta cidade a “Cidade Silenciosa”. O silêncio é efetivamente uma constante, por vezes interrompido por grupos de turistas ou pelo som dos sinos da catedral. Se isto se sente durante o dia, como será durante a noite, dado viverem menos de 300 pessoas no interior das muralhas…

Chegamos à Praça de S. Paulo, onde se encontra a Catedral de S. Paulo ou Catedral de Mdina que ouvíamos ao longo durante o passeio pelas ruelas da cidade. É um dos edifícios mais imponentes de Mdina e merece também uma visita. Se puderem visitem o seu interior, rico em detalhes e ornamentos que remontam às origens da cidade.

Na ponta oposta da porta da cidade, encontramos o Bastião, uma praça que permite uma vista panorâmica sobre os arredores da cidade até aos limites de Malta, favorecida pela altitude em que esta cidade se encontra. Recomendamos uma paragem aqui, para aproveitar o silêncio e a magnífica vista que nos proporciona.

A visita à cidade pode ser rápida, sendo que se não quisermos visitar todos os museus se consegue fazer em meio dia. O caminho de volta faz-se uma vez mais pelas ruelas, que são definitivamente uma perdição para os amantes de fotografia.

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Como chegar: A partir do exterior de Valletta, perto da Fonte do Tritão, existem os terminais de autocarros. Aconselhamos o 51 ou o 52, que demoram menos de 1hora até Mdina. O bilhete varia os preços, consoante a época do ano e a hora do dia. Durante o dia no Inverno, o bilhete custa 1,50€ e durante o dia no Verão custa 2€. Os bilhetes nocturnos são 3€/pessoa (Todos estes valores são por viagem). Para mais informações visitem o site de Malta Public Transport.

Dicas extra:

  • Nos arredores das muralhas de Mdina, também se consegue chegar a pé à zona de Rabat, conhecida como o berço da cristandade de Malta. Aqui encontramos diversos vestígios da passagem romana, sendo que aqui acabámos por visitar as Catacumbas de S. Paulo (St. Paulo’s Grotto), onde se acredita que S. Paulo se refugiou com os primeiros cristãos da ilha para fugir às perseguições dos romanos (entrada 5€/pessoa).
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Pormenores das ruas de Rabat
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Catacumbas de S. Paulo
  • Rabat é em si maior que a cidadela de Mdina, encontrando-se aqui mais opções de restaurantes e alojamentos, se preferirem pernoitar nesta região.

Valletta

Valletta é a capital de Malta, pequena na sua dimensão mas enorme no charme que apresenta. Dentro das suas muralhas temos uma variedade de edifícios históricos como a Co-Catedral de S. João, perfeitamente acompanhados por edifícios mais modernos como o que nos recebe logo à entrada das portas da cidade, o Edifício do Parlamento de Malta.

À chegada a Valletta, deparamo-nos com uma praça onde terminam as principais linhas de autocarros do país. É aí que nos deixam, junto à conhecida Fonte do Tritão, numa alusão directa à grande ligação deste país com o mar.

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Fonte do Tritão

Logo atrás da Fonte do Tritão, encontramos uma cidade muralha, à beira mar, com a enorme porta da cidade aberta como que a convidar-nos para entrar. Ao entrarmos, o primeiro impacto que temos é a cor das construções, em tons maioritariamente claros do mármore, tudo em escalas pequenas quando comparamos com a dimensão das ruas e da confusão que encontramos noutras capitais europeias.

Junto às portas da cidade, temos o edifício do Parlamento de Malta, moderno e que merece a nossa atenção pelo seu design futurista. Mais à frente, encontramos um dos pontos que, na nossa opinião, é simplesmente imperdível. A Co-Catedral de São João, que não se destaca por nada em especial pelo seu exterior, tem um interior deslumbrante e que, até hoje, foi dos mais bonitos que conhecemos.

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Co-Catedral de S.João

Ricamente decorado e com ligações históricas à Ordem Templária, as cores que mais sobressaem surgem da folha de ouro que envolve quase todas as paredes. Entre as várias obras de arte que ali existem, destaca-se o quadro da “Decapitação de João Baptista”, uma das obras primas de Caravaggio e considerada uma das obras mais importantes da pintura ocidental. Aconselhamos a visita bem cedo, para evitar filas e grupos de turistas. O preço da entrada por adulto é de 10€, sendo que para qualquer informação adicional podem visitar o site oficial da Co-Catedral de São João.

Daqui, “perdemo-nos” pelas várias ruelas da cidade e pela variedade de cores que fomos encontrando. Se bem se lembram, acima dissemos que toda a cidade se destacava pelos seus tons mais claros… A variedade de cores, essas, em grande parte são conferidas pelas várias varandas que existem nas várias habitações. A fazer lembrar as “marquises”, encontramos uma variedade de estruturas em madeira, que conferem um ar amigável em cada rua da cidade.

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As varandas típicas de Malta

Num dos extremos da cidade, encontramos o Memorial do cerco a Malta. Este foi feito em memória das 7 000 vítimas que pereceram na cidade durante a II Guerra Mundial, altura em que este país pertencia à Grã Bretanha que utilizou este país como uma barreira para o acesso das tropas alemãs ao norte de África. O que mais se destaca neste memorial é o enorme sino, que todos os dias toca às 12:00, sendo desaconselhado que se esteja muito perto.

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Memorial do cerco a Malta

Decidimos ainda fazer o ferry que liga Valleta a Sliema, uma vila vizinha da capital de Malta (coordenadas do terminal de ferrys em Valleta: 35.90033875620842 ; 14.51007410312741). Esta destaca-se pela vida nocturna, assim como pela grande variedade de cafés e restaurantes mas não foram estes, de todo, os motivos que nos trouxeram aqui. A vista que se tem de Valleta a partir de Sliema é daquelas que vale a pena o que, juntando à travessia panorâmica que dura apenas 15 minutos e com um preço convidativo (2,80€ ida e volta), valeu a pena experimentar. Para saberem mais sobre este tema, visitem o site www.vallettaferryservices.com

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Panorama da viagem de ferry
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Perspectiva de Valleta a partir de Sliema

Para terminar o dia, aconselhamos os Upper Barrakka Gardens. Este que é, na nossa opinião, um dos jardins mais bonitos de Valletta.

Com uma vista única para o Grand Harbour e para o forte de St.Angelo que fica na outra margem, este jardim é um local a não perder, ainda mais ao pôr do sol que assume cores inesquecíveis.

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Se tiverem sorte como nós, ainda assistem à demonstração do disparo dos canhões, relembrando a forma como eram saudadas as embarcações à chegada ao porto da capital.

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Demonstração do disparo dos canhões

Como chegar: Malta não tem metro, pelo que as únicas opções de transportes públicos são o táxi ou os autocarros, estes últimos que funcionam muito bem, abrangendo todos os pontos da ilha. A partir do aeroporto recomendamos que apanhem o autocarro X4, que nos deixa junto à Fonte do Tritão (preços variam entre 1,50€/viagem no Verão, 2€/viagem no Inverno e 3€/viagem em serviço nocturno). Para mais informações, consultem o site www.publictransport.com.mt 

Onde ficar: Hotel Osborne – Na nossa opinião, este hotel foi uma óptima escolha. Fomos em Dezembro, época baixa no país, e conseguimos ficar aqui por menos de 60€/noite em quarto duplo com pequeno almoço (continental e buffet) incluído. Fica a 5 minutos a pé da rua principal da cidade de Valletta e da Co-Catedral de S.João.

Dicas extra:

  • Na nossa opinião, esta cidade é possível de se visitar na generalidade em apenas um dia e entrando apenas nos monumentos principais.
  • Não sentimos necessidade de alugar carro nem para conhecer Valletta nem para conhecer outros pontos de Malta, dado existir um excelente serviço de transportes públicos.
  • Tendo visitado Malta em Dezembro, tivemos uma visão completamente diferente da cidade. Longe da expectativa de encontrarmos um país para fazer praia, encontrámos muito menos turistas, preços mais convidativos e cidades decoradas a rigor com luzes de natal a iluminar vários pontos.