Parque Nacional dos Picos da Europa – o nosso roteiro de 5 dias

Não foi há muito tempo que começámos a ouvir falar do Parque Nacional dos Picos da Europa e não podíamos acreditar que, estando aqui tão próximo, ainda não tínhamos visitado este pequeno paraíso montanhoso repleto de paisagens de uma dimensão capaz de nos tirar as palavras.

Este foi o roteiro que fizemos em 5 dias por aquela região. Fomos com o nosso Afonso que na altura tinha 5/6 meses, portanto o roteiro foi adaptado a isso mesmo. Talvez não tenhamos sido tão ambiciosos como seríamos se tivéssemos ido só os dois, mas por outro lado permitiu-nos aproveitar mais cada paragem e cada paisagem. Agora que olhamos para trás e, sabendo o que sabemos hoje, talvez tivéssemos feito exactamente da mesma forma.

Índice de conteúdos do artigo

1. Onde fica o Parque Nacional dos Picos da Europa
2. Melhor altura para visitar o Parque
3. Como chegar?   
4. O nosso roteiro de 5 dias e os alojamentos onde ficámos
5. Onde comer?
6. Picos da Europa com bebés: sim ou não? Cuidados extra?
7. Outras dicas importantes a ter em conta     

1. Onde fica o Parque Nacional dos Picos da Europa

O parque fica localizado no complexo montanhoso situado ao norte de Espanha, paralelo ao mar Cantábrico, mais concretamente na Cordilheira Cantábria que se estende de Castela e Leão até à Cantábria e Astúrias.

Localização dos Picos da Europa (imagem adaptada do Google Maps)
2. Melhor altura para visitar o Parque

Diríamos que os meses entre Abril e Outubro serão a melhor altura para visitar o Parque já que as temperaturas são mais agradáveis (mínimas 7-12ºC, máximas 16-21ºC) e a probabilidade de apanhar um nevão é substancialmente menor. Se nos meses de Junho a Setembro vão apanhar mais multidões e preços mais elevados, a verdade é que nos meses de Abril/Maio e Outubro tudo fica mais tranquilo e os preços baixam substancialmente.

Pelo contrário, os meses de Novembro a Março, são tradicionalmente mais frios (min 2-3ºC, máximas 10-11ºC) e com nevões mais frequentes pelo que não recomendaríamos à partida estes meses como preferenciais.

Fomos em inícios de Outubro, época baixa que se reflectiu não só na confusão, como nos preços dos alojamentos. Apanhámos 1 dia de chuva em 5 dias de viagem e achamos que o roteiro é perfeitamente exequível neste tempo que planeámos.

3. Como chegar?

A melhor forma é, sem dúvida, de carro. Para terem uma percepção do quão perto este pequeno paraíso fica, Riãno que se encontra apenas 15km a sul do início do Parque Natural dista aproximadamente 5h de carro do Porto (passando a fronteira em Chaves e seguindo em direcção a Benavente através da autoestrada A52 que é gratuita).

No nosso caso, dado termos partido das Caldas da Rainha e irmos com um bebé que tinha menos de um ano, decidimos repartir os trajectos de uma forma mais equilibrada e ficámos alojados uma noite em Portugal e depois em Astorga, já em Espanha. Apenas no dia seguinte seguimos em direcção ao Parque Natural.

4. O nosso roteiro de 5 dias e alojamentos onde ficámos

O nosso roteiro foi em sentido horário, ou seja Riaño – Cangas de Onis – Potes mas podem optar por fazer o roteiro em sentido inverso. Nós fizemo-lo em 5 dias dados os trilhos que pretendíamos fazer e o facto de querermos fazer tudo num ritmo mais lento por irmos com um bebé. Se abdicarem dos trilhos poderão fazer, por exemplo, em 3/4 dias. Se pretenderem fazer mais trilhos ou simplesmente aproveitar melhor cada local podem acrescentar mais uns dias, sem problema.

Escolhemos 2 bases para explorar o parque: a região de Cangas de Onis pela sua proximidade aos lagos de Covadonga e a zona do Vale de Liebana/Potes pela proximidade a Fuente Dé e à Ruta Del Cares. Fizemos esta distribuição no sentido de termos alojamento em dois dos polos do parque e, assim, encurtar distâncias dos alojamentos até aos pontos de interesse, já que o Parque tem dimensões consideráveis e muita estrada de montanha. Facilitou a logística e não nos arrependemos da decisão tomada.

Um outro local que também pode ser conveniente para servir de base é a localidade de Arena de Cabralles. Não tendo tido esta experiência não conseguimos ter alojamentos para aconselhar por lá.

Roteiro que fizemos pelos Picos da Europa (imagem adaptada do Google Maps)

Dia 1 – De Riaño a Cangas de Onis

Partimos de Astorga logo cedo com destino a Cangas de Onis. Pelo caminho estava previsto passar pela bela localidade de Riaño, que fica a sul a cerca de 15kms do início do Parque Natural dos Picos da Europa. Esta localidade mesmo não pertencendo ao Parque Natural, por si só, vale a visita e conta com uma série de pontos de interesse que são uma perdição para os amantes de natureza. Dedicámos a paragem “intercalar” a esta localidade e sugerimos que dediquem igualmente algumas horas a visitar a cidade, vale muito a pena.

Em Riãno é imperdível:

Mirador de las Biescas – sugerimos fazer o trilho circular de 3km (nível de dificuldade fácil com terreno bastante linear); fomos com o nosso bebé no Ergobaby sem problemas; podem estacionar o carro num parque gratuito que se encontra ao início da ponte de Riãno e que fica do lado oposto da estrada de início do trilho;

-» “Banco mas bonito de Leon” – coordenadas 42.974835, -5.012636;

Mirador de Hazas – este miradouro é também imperdível pela sua vista panorâmica sobre a cidade e verdadeiramente tentador para múltiplas fotografias! Deixámos o carro no parque de estacionamento à entrada do camping de Riaño (ver aqui) e fizemos um pequeno trilho a subir mas que valeu cada fôlego! Para além da vista lindíssima, encontra-se no topo também um enorme baloiço;

-» Existem outros trilhos mais extensos mas que não realizámos sendo um dos que lemos melhores feedbacks o que sobe até ao Pico de Gilbo.

De Riaño seguimos em direcção a Cangas de Onis pela N-625. Sensivelmente no terço final deste troço vão passar pelo famoso Desfiladeiro de Los Beyos, facilmente reconhecível pela sua imponência e envolvência.

Chegados a Cangas de Onis, vale a pena passear pelo centro histórico, captar o ambiente e visitar a famosa ponte romana sobre o rio Sella, também conhecida por “Puente Vieyu” ou “Puentón”. É um dos símbolos mais conhecidos do Principado das Astúrias, onde no arco central se distingue uma famosa reprodução da Cruz da Vitória.

Cangas de Onis é um dos maiores centros com vários serviços e alojamentos à disposição na região, contudo achámos que, no que toca a locais de estacionamento, e apesar de não estarmos em época alta, não é muito fácil estacionar e os parques existentes não eram baratos. Caso visitem a localidade, tomem nota de que aos Domingos (período da manhã até às 14:30) existe o Mercado Semanal junto da Iglesia de Santa Maria. Esta é uma opção mais económica para adquirirem produtos regionais comparativamente com as lojas ao redor, podendo provar antes de comprar. A oferta é variada e vai desde os queijos, charcutaria e a sidra que é tão típica nesta região. Além disto, existem ainda diversas bancas de roupa, calçado e utensílios do dia a dia.

Estando à porta, não deixem de visitar a Iglesia de Santa Maria, onde se destaca o campanário de três pisos e vitrais lindíssimos no seu interior.

Onde ficámos alojados:
Alojamento Fuente El Gueyu: Este alojamento fica à periferia de Cangas de Onis. Inicialmente foi escolhido totalmente por acaso mas hoje faríamos exactamente igual, principalmente pelo problema de estacionamento que encontrámos na cidade. Trata-se de um conjunto de pequenas casinhas, com cozinha e totalmente equipadas, localizadas numa pequena vila pacata, com uma vista e espaço exterior lindíssimos e até churrasqueira está disponível (que usámos sem problema). Pagámos 81€/noite, com berço incluído;
Camping Picos de Europa: caso sejam adeptos de campismo ou autocaravanismo, este parque de campismo também é uma óptima solução. Acampámos por aqui numa outra viagem e ficámos agradavelmente surpreendidos. Os espaços de tenda são razoáveis, os serviços são porreiros e os preços também são amigáveis: 35€ para dois adultos, uma criança de 2 anos, uma tenda familiar (11mt2), electricidade e carro junto da tenda. Tem restaurante, supermercado com os produtos mais essenciais e básicos, baguetes e croissants quentes pela manhã, duas piscinas (uma interior e outra exterior) e parque infantil. Gostámos tanto que ficámos mais duas noites do que o inicialmente previsto.

Dia 2 – Região de Covadonga

O 2º dia foi dedicado a explorar a região de Covadonga, nomeadamente os Lagos e depois à tarde o Santuário e a Basílica, mas já lá vamos.

Neste dia acordámos antes do sol nascer. O nosso alojamento estava a cerca de 30 minutos dos Lagos e sabíamos que deveríamos subir até ao parque de estacionamento de Buferrera (2€/todo o dia) muito cedo devido à proibição de circular até lá entre as 7h30 e as 21h em algumas épocas do ano.  Tenham em conta que caso os estacionamentos fiquem cheios antecipadamente, o encerramento dos parques pode acontecer antes das 7h30. Após esta hora é permita a subida apenas por autocarros ou veículos autorizados, ou seja, não é permitida a subida por veículos ligeiros próprios embora seja permitida a descida dos mesmos caso tenham entrado antes das cancelas fecharem. Por outras palavras, se subirem até ao parque de estacionamento antes das 7h30 podem depois regressar à hora que pretenderem sem qualquer problema. (esta informação pode estar já incorrecta ou desactualizada, dado que em Julho de 2023 ocorreu um acidente entre um autocarro de passageiros que subia e uma autocaravana que descia dos Lagos e está previsto o encerramento completo da estrada de acesso aos Lagos durante as 24h dos meses de Verão e Semana Santa a carros e autocaravanas – ver notícia). Se quando chegarem as cancelas já estiverem bloqueadas, só poderão subir até aos lagos ou de Taxi (a rondar os 10€/pessoa) ou de autocarro (a rondar os 9€/pessoa, saindo a cada 10/15minutos, das 9-19h30).

Tendo nós conseguido subir com carro próprio, estacionámos muito cedo no parque de Buferrera onde se inicia o trilho PR-PNPE2 e foi aqui que vimos um dos mais belos nascer-do-sol que alguma vez presenciámos. Foi absolutamente mágico.

O trilho completo é circular num total de 5 km, passando por uma antiga mina até ao lago Ercina, depois pelo lago Bricial (que apenas tem água no degelo) e culminando no maior lago desta região, o lago Enol. O trilho está muito bem assinalado e o piso é, na maior parte do trajecto muito regular e de fácil acesso, mas caso tenham dúvidas podem esclarece-las directamente no Centro de Visitantes “Pedro Pidal” que encontram no começo do trilho. Existem ainda casas de banho devidamente assinaladas entre o Centro de Visitantes e as minas. Junto ao Lago Ercina existe também uma cafetaria, com uma esplanada interior e exterior, onde não resistimos a beber um cafezinho com uma vista soberba.

Para quem, como nós, quiser fazer uma versão resumida deste trilho pode estacionar neste parque de estacionamento e, percorrendo pouco mais de 2km, passa pelo “Mirador del Príncipe de Asturias”, pela antiga mina, pelo lago Ercina, culminando no “Mirador Entrelagos” e no lago Enol.

Vistas do trilho

Depois de nos deliciarmos com estas vistas, seguimos em direcção ao Santuário de Covadonga (pequena capela embutida num rochedo) onde se encontra a imagem de “La Santina”, que se acredita tenha auxiliado na guerra de Reconquista da região Asturiana, bem como de toda a Península Ibérica.

Dali, passámos ainda na proeminente Basílica de Nossa Senhora de Covadonga, um edifício neorromânico que não deixa ninguém indiferente. Aqui temos que deixar um aviso: não façam como nós que fomos a um domingo! Estava uma enorme confusão de carros e pessoas, o que condicionou muito a visita e nos impossibilitou inclusive de visitar a Basílica por dentro. Existem no recinto parques para estacionar que ficam verdadeiramente apinhados nestes dias de maior confusão.

Onde ficámos alojados:
Alojamento Fuente El Gueyu: o mesmo da noite que anterior;
Camping Picos de Europa: referido também no registo do dia anterior, com a vantagem de ficar igualmente bem localizado para uma visita aos Lagos.

Dia 3 – Ruta del Cares

O 3º dia do roteiro foi dedicado a realizar a Ruta del Cares.

Acordámos cedo e, de caminho, deparámo-nos com o belíssimo Mirador de Naranjo del Bulnes/Pico Urrielu (coordenadas 43.311485, -4.838598) situado na localidade de Póo de Cabrales. Este que é um dos mais acessíveis miradouros para o Naranjo de Bulnes, dispõe de um  parque de estacionamento gratuito e amplo com uma vista digna de um quadro assim as condições climatéricas estejam favoráveis. Em 2021 foi colocada uma escultura em pedra no centro do parque de estacionamento, que representa um livro com uma fechadura aberta… A fechadura está perfeitamente enquadrada com o Naranjo de Bulnes nos dias em que é possível vê-lo! Parámos por lá a descansar porque tivemos muita sorte com o tempo e tínhamos a máquina fotográfica mesmo a pedir um registo daquela vista para a posteridade! Já em 2023 a vista estava mais nublada, mas deixamos também o registo com a escultura que referimos acima.

Seguimos então para o início do trilho da Ruta del Cares, um trilho linear, com 12 km de extensão (portanto 24km ida e volta) que liga Poncebos a Caín. Este é um dos trilhos mais concorridos do parque natural dos Picos da Europa e dá para perceber porquê. Percorre as escarpas das montanhas que ladeiam o rio Cares, que nos segue assim ao longo de todo o trajecto. O trilho está bem marcado, o piso é relativamente regular (há alguns trechos onde são necessários cuidados e atenção redobrados) e é importante ressalvar que, para quem parte de Poncebos como nós fizemos, os primeiros 2 km são sempre a subir e sem sombra. Depois disso não há grande desnível e torna-se menos exigente. Nós deixámos o carro em Poncebos e fizemos cerca de 7km de trilho até decidirmos voltar para trás (portanto fizemos cerca de 14km) em 5 horas, com espaço para paragens para fotografias, dar maminha ao mais pequeno, etc. Entrámos no trilho na expectativa de fazer apenas a parte inicial mas depois acabámos por percorrer mais do que antecipámos porque efectivamente, passando os 2km iniciais, o terreno é muito mais linear. Com o pequenino na mochila ergonómica tínhamos que gerir o bem estar dele e o nosso esforço físico…

Atenção que o clima no trilho pode mudar rapidamente e devem levar agasalhos e roupa mais fresca para esse efeito, bem como os habituais snacks, água, protector solar e chapéu. Para além disso, o trilho não dispõe de barreiras laterais de segurança apesar de na maior parte do trajecto ser largo o suficiente para haver passagem de 2 pessoas lado-a-lado, portanto atenção redobrada enquanto caminham.

Chamar a atenção igualmente que ao longo do trilho poderão cruzar-se com as famosas e ágeis cabras montanhesas. São parte da fauna local e muito curiosas, já estão muito habituadas à passagem de pessoas pelo trilho e se não se meterem com elas, elas também não vos vão ligar nenhuma e tudo corre bem. Quando fizemos o trilho deparámo-nos com alguns turistas que começaram a alimentar os animais. Por favor, deixamos aqui um apelo: Não o façam! Para além de interferirmos na natureza selvagem destes habitantes, a verdade é que com este tipo de comportamentos os próprios animais podem tornar-se mais imprevisíveis e aquilo que era um passeio muito tranquilo pode tornar-se num verdadeiro pesadelo. Somos da opinião que devemos sempre deixar os locais como os encontrámos para que quem vem a seguir tenha o privilégio de os ver da mesma forma…. Não sair dos trilhos destruindo a flora frágil e não alimentar a fauna local são algumas das melhores formas de o fazer.

Por fim, trilho concluído, pés cansados e almas cheias de paisagens lindíssimas, seguimos para o novo alojamento localizado já na ponta oposta do parque no vale de Liebana. No caminho passámos pelo impressionante e imponente Desfiladeiro de La Hermida… Um daqueles locais únicos e de tirar o fôlego, como a maior parte dos locais no parque.

Onde ficámos alojados:
Apartamentos Los Picos da Europa: adorámos o alojamento, não só pela simpatia do proprietário como pelo alojamento em si. Tratam-se de apartamentos recentemente renovados, com um ar bastante clean, limpeza sem nada a apontar e com áreas interiores e uma vista da varanda absolutamente incrível. Vale a pena acordar mais cedo no dia  seguinte para apreciar o nascer-do-sol no vale de Liebana com os primeiros raios de sol a reflectir naqueles maciços rochosos enormes. Tivemos berço gratuito e o facto de ter cozinha, mais uma vez, facilitou não só a logística das sopas etc., como também fizemos uma poupança considerável já que reduzimos muito as refeições fora. O apartamento completo rondou os 130€/noite.

Dia 4 – Fuente Dé e Mogrovejo

Seguimos do Vale de Liebana onde estávamos alojados até Fuente Dé, uma pequenina localidade quase desprovida de habitantes e basicamente famosa por ser o ponto de partida do teleférico vertiginoso que sobe até “El Cable“, vencendo um desnível de 753m em apenas 4 minutos. Podem estacionar no parque de estacionamento (gratuito) que fica na base junto ao teleférico (coordenadas 43.143694, -4.811845).

Cá em baixo, quando olhámos para o trajecto do teleférico, tivemos que respirar fundo para ganhar coragem mas lá decidimos que íamos experimentar e… WOW que experiência! Sentimo-nos literalmente a atravessar as nuvens e, a dada altura quando estávamos a chegar e saímos das nuvens dando de caras com uns enormes maciços montanhosos absolutamente espectaculares…. foi uma daquelas experiências que não vamos esquecer e voltaríamos a repetir tantas vezes quantas lá fôssemos. Pagámos 17€/adulto ida e volta. O bilhete é gratuito para crianças até aos 5 anos de idade.

Ao chegar ao topo encontram um centro de visitantes e um placard com vários trilhos, respectivas extensões e dificuldades. Nós percorremos cerca de 3,5 km do trilho PNPE24 – Puertos de Áliva (linear), portanto 7km a contar com o regresso até “El Cable” já que tínhamos comprado bilhete de ida e volta do teleférico até Fuente Dé. O trilho é muito maior do que isto mas o trecho que percorremos estava bem assinalado, com um piso em boas condições e com umas vistas de cortar a respiração.

Encontram uma cafetaria com comida e WC quer no estacionamento em Fuenté Dé quer em “El Cable”.

Após a descida até Fuente Dé, aproveitámos para comprar uns bocadillos na cafetaria (almoço económico e bastante composto) e seguir viagem até Mogrovejo, uma pequenina aldeia, recheada de história e tradição que conserva ainda vários edifícios típicos da região e uma torre medieval. Foi aliás a base das imagens dos desenhos animados Heidi e Marco.

No regresso até ao alojamento vale a pena fazer um pequenino desvio até à Ermita de San Miguel e ao Monasterio de Santo Toribio de Liebana, se ainda houver tempo. Este Mosteiro tem a particularidade de ser um dos cinco lugares do catolicismo romano, juntamente com Roma, Jerusalém, Santiago de Compostela e Caravaca de la Cruz, que tem o privilégio de emitir indulgências perpétuas.

Onde ficámos alojados:
Apartamento Los Picos da Europa: o mesmo da noite anterior.

Dia 5 – Potes e Vale de Liebana

O último dia foi dedicado a descansar um bocadinho, aproveitar de forma muito tranquila a região próxima do alojamento e “gastar os últimos cartuchos”.

O vale de Liebana conta, a par da sua beleza indiscutível, com múltiplos trilhos e um deles passa por uma região onde existem vários castanheiros milenares (“Castaños Milenarios” – coordenadas 43.205379, -4.612993). Passámos de carro pelo local e pareceu-nos ser lindíssimo.

Outro ponto que nos surpreendeu foi a pequena mas característica cidade de Potes, onde poderão encontrar múltiplos serviços e cujo centro histórico conserva imensos traços históricos que, por si só, valem a visita. Encontra-se no cruzamento de 4 vales e 2 rios e é conhecida como a “aldeia das torres e pontes”. Foi, aliás, já eleita pelo Lonely Planet como a mais bela cidade do interior de Espanha. Convencidos? Da igreja de São Vicente à Torre do Infantado, da praça Del Capitan Palacios às duas magníficas pontes ou ao Bairro de la Solana de Potes, a cidade é pitoresca dos seus mais variados ângulos e vale cada fotografia tirada.

No regresso a casa pela N-621 vale uma paragem no Mirador del Corzo e no Collado de Llesba, este último com uma vista lindíssima.

Seguimos viagem saindo do Parque Natural dos Picos da Europa iniciando o nosso regresso a casa que se fez, mais uma vez, por Astorga.

Sítios adicionais a visitar se tiverem tempo:

Bulnes: é a aldeia mais alta dos Picos da Europa que é caracterizada pelo seu isolamento dado que só se consegue lá chegar a pé por um trilho (Ruta del Canal del Tejo) de 4 km a partir de Poncebos (8km ida/volta) ou de funicular em que o preço é de 22,16€/adulto (ida e volta), do qual podem encontrar mais informações no site oficial. Dado estarmos com o pequenino e o que já tínhamos programado abdicámos de visitar a aldeia, mas se tiverem tempo poderá ser um ponto a acrescentar.
Sotres: é uma aldeia localizada a 1050m de altitude, também bastante típica; não tivemos tempo para visitar mas do que vimos parece valer a pena.
Rota das Sidrerias e das Queijarias: se existem especialidades nesta zona são os queijos e as sidras. Um roteiro para visitar queijarias e sidrerias para provas são sempre uma boa opção… Difícil é escolher por onde começar!

5. Onde comer?

Não somos os mais indicados para vos dar as melhores dicas de onde comer porque, honestamente, privilegiámos sempre a refeição em casa (pelo facto de termos o miúdo e por se tornar mais económico), como já dissemos anteriormente. Para além disso visitámos o parque em época COVID-19 portanto estavam ainda em vigor múltiplas restrições. Provámos os bocadillos em mais do que um sítio e fizemos questão de provar algumas especialidades locais quando íamos ao supermercado buscar mantimentos: o presunto asturiano, o queijo de Cabrales, a sidra de Cangas de Onis… recomendamos todos eles. Agora que estamos a escrever isto, já nos estamos a babar só de nos lembrarmos, ai ai!

6. Picos da Europa com bebés: sim ou não? Cuidados extra?

Quando visitámos este parque natural o nosso pequenino tinha 5/6 meses meses, ainda estava com leite materno e não tinha iniciado a diversificação alimentar. Sempre foi um bebé saudável e não tem doenças crónicas pelo que estávamos bastante tranquilos com a viagem e na verdade mesmo muito entusiasmados também.

Levámos connosco uma farmácia básica do bebé (o habitual Ben-U-Ron, aspirador nasal e pouco mais) e sabíamos à partida que ao longo do Parque Natural íamos encontrar, em algumas cidades maiores, algumas farmácias e locais de atendimento urgente, se necessário.

Ao longo da viagem sabíamos que íamos fazer vários kms e, por isso, tivemos alguns cuidados que achamos ter sido muito importantes na gestão do mais pequenino e na leveza com que levámos a viagem:

– Cumprimos à risca o limite máximo das 2h do Afonso no ovo, ou seja, não fizemos viagens de carro superiores a este tempo sem intervalos de descanso ou brincadeira fora do ovo;
– Apesar de estarmos dentro destes intervalos, sempre que o notávamos desconfortável com alguma coisa não insistíamos e parávamos para esticar as pernas e/ou suprir as necessidades;
– Tentámos sempre dividir ao máximo as várias etapas da viagem de forma a não fazer muitas horas seguidas de carro por dia;
– Viagens de carro e trilhos, tentámos sempre que coincidissem com os horários das sestas.

No que toca a fraldas, toalhitas, etc. levámos algumas connosco mas sempre com a segurança de estarmos em Espanha e, como tal, de uma forma geral existirem a grande maioria das marcas que usamos em Portugal. É fundamental levar o Cartão Europeu de Seguro de Doença de todos os elementos incluindo do bebé (ver mais neste link) e ponderar Seguro de Viagem (ver mais neste link).

Por fim, aconselhamos sempre alojamentos com cozinha para quem viaja com bebés em fase de introdução alimentar porque para além de obviamente ficar mais barato, permite manter também rotinas como sopas e garantir que se o bebé não se adaptar ao resto, pelo menos a “comida de casa” tem sempre. Em todo o caso, durante a viagem quando havia pausa para a amamentação, esta chegou a acontecer em lugares únicos.

A maior parte dos alojamentos tem o berço de forma gratuita quando é pedido e melhor que tudo, habitualmente os bebés não pagam, portanto esta é sim uma óptima altura para viajar sem grande custo acrescido.

Finalmente uma última dica: podem levar carrinho mas uma mochila ergonómica/pano vai facilitar-vos muito a vida. Nós sempre viajámos só com mochila ergonómica e não nos arrependemos. Para além da enorme autonomia que dá, ele adora fazer umas boas sestas por lá. E neste tema dos trilhos sugerimos sempre estudar bem o grau de dificuldade, o tipo de terreno, sombras (todas estas informações estão facilmente disponíveis na internet), no sentido de percebermos se estamos confortáveis com a ideia de o fazer com um bebé/criança; não esquecer igualmente de levar na mochilas as habituais mudas extras e tentar levar sempre roupa a contar com um aumento ou uma redução da temperatura ao longo do trilho, tendo que ir colocando ou retirando camadas de roupa ao bebé/criança.

Cuidados extra? Diríamos que não contamos com muito mais do que aquilo que já enumerámos nos pontos anteriores. Talvez o maior cuidado extra que temos desde que viajamos com um bebé (quer seja aqui ao lado quando fomos ao Parque dos Picos da Europa, às ilhas Ciés ou ao outro lado do mundo quando fomos até à Malásia, à Indonésia ou à Nova Zelândia), é sobretudo preparar o melhor possível a viagem e o que queremos fazer por forma a antevermos as necessidades e sobretudo adequar  que queremos fazer àquilo com o que efectivamente nos sentimos confortáveis em fazer com um bebé. Aliás, sentimos que quanto melhor preparamos a viagem, mais relaxamos e a aproveitamos. O bebé/criança deverá, obviamente ser sempre tido em conta e vai moldar os nossos planos, mas em boa verdade quando vivemos a viagem percebemos que eles também se vão moldar a nós, até muito mais do que antecipámos inicialmente. São verdadeiras caixinhas de surpresas, particularmente quando nos deixamos sair da nossa zona de conforto.

Dizemos sempre que para viajar com crianças “descomplicar” deve ser a palavra de ordem. Nesta viagem isso não foi excepção e, na verdade, miúdos e graúdos concordam: a viagem não poderia ter corrido melhor.

Escrevemos um artigo sobre as viagens com crianças onde deixamos 10 dicas para viajar com os mais pequenos.

7. Outras dicas importantes a ter em conta

-» No que toca à condução é, tal como em Portugal, pela direita. Achámos que as estradas estão bem sinalizadas e em bom estado; no Parque Natural não há portagens ou pagamentos extra; sugerimos que andem sempre com o depósito “composto”, já que apesar de encontrarem postos de abastecimento em várias localidades é sempre importante dispensar surpresas “extra”; atenção ao limites de velocidade em cada troço da viagem;
-» Espanha pertence à União Europeia e, como tal, os dados móveis estão sujeitos às mesma condições do território nacional, estando isento de pagamento extra pelo roaming;
-» Da mesma forma, sendo cidadão português basta levar Cartão de Cidadão, não sendo necessário o passaporte;
-» Em viagem fora de Portugal usamos e sugerimos sempre o Cartão Revolut, que já nos ajudou a poupar muito dinheiro em taxas de conversão de câmbios e mais mil e uma taxas extra; escrevemos um artigo sobre o assunto que poderão consultar aqui;
-» Não esquecer o Cartão Europeu de Seguro de Doença (para mais informações consultar este nosso artigo);
-» Em relação ao Seguro de Viagem: sim ou não? Sugerimos a leitura deste nosso artigo (temos um desconto de 5% para os nossos leitores);
-» No tópico da segurança tivemos os habituais cuidados que adoptamos em qualquer local que visitamos e, em momento algum, nos sentimos inseguros;
-» As reservas de alojamento fizemos sempre com o Booking; já tivemos situações em que houve, antes da nossa chegada, um problema com o alojamento que foi prontamente resolvido pela plataforma e tudo correu bem;
-» Existem webcams espalhadas pelo Parque Natural e podem consultar antecipadamente como está o tempo num local que pretendem visitar. Isto permite que possam organizar-se melhor para escolher as melhores alturas do dia para visitar um determinado sítio. Deixamos o link para o site onde encontram o acesso às webcams.

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4 responses to “Parque Nacional dos Picos da Europa – o nosso roteiro de 5 dias”

  1. Perfeito como sempre. Estamos desejosos de ter esta experiência e poder partilhá-la convosco. Obrigada por estas dicas.

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    1. Obrigado pelo feedback. Esperamos que venha a ser útil ☺️ partilhem connosco depois, temos a certeza que vão gostar!

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  2. Estou a pensar fazer para o ano esta viagem. Este roteiro vem mesmo a calhar. Obrigada pela partilha.

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    1. Esperamos que seja útil! Boas viagens ☺️

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